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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sonhando Você




10-viii-10


Sonhando voce é lindo

quando seus olhos brilhantes

que iluminam a terra

resolvem se dar descanso


Sonhando você é lindo

quando o corpo se entrega

e docemente liberta

a alma aos seus passeios.


Sonhando você me sonha

e nossos sonhos se encontram

nos halos da madrugada.


Então os deixamos a sós

que entrelacem ensejos

e produzam suas façanhas


Sonhando você reconta

o seu projeto de vida

viver um sonho de paz

Casa de Memória


Casa de Memória
Eliane Guaraldo
16-viii-10

Atingindo o limite de escoamento
rui a viga de tão sólida estrutura
do esplendor ficou apenas a ossatura
sobre o chão ficou a cornija, o ornamento.

Latejando o derradeiro batimento
trinca o piso de cerâmica florada
e as lágrimas de estuque pela escada
são espalhadas, com o impacto, pelo vento.

O ruído surdo parou o momento
congelara o tempo, mas chegou atrasado
não conteve o frágil estado a longa história.

De comum ela se torna em monumento
ganhou placa do "instituto" e, restaurada,
fará parte atrofiada da memória.

Descoberta atemporal


Descoberta atemporal

Eliane Guaraldo
14-viii-10

camada presente
ausente lembrança
desenho inda a ser.

camada recente
ainda presente
projeto de vida.

demais camadas
remanescências
o profundo ser.

que algo se esqueça
pra que a essência rebrote
por consciências.

Corumbá (inspirado na lenda Bororó)

Corumbá (inspirado na lenda Bororó)


29-05-10
E Deus atirou no espaço
punhado farto de estrelas
Algumas chegaram à Terra
a Terra pudesse vê-las

Outras muitas, tardam ainda
a brilharem neste mundo
mas foi o gesto fecundo
trazendo, de todas a mais linda,

que criou, de ser luzente,
ser cidade e natureza
qual nenhum'outra será

Por divina e lindamente
tens assim tua beleza,
cidade de Corumbá.


(inspirado na lenda Bororó)

domingo, 11 de julho de 2010

URBANIDADE POÉTICA

Eliane Guaraldo
19-3-10
.
Tua presença
patrimônio intangível
da minha cultura
.
São como desejos:
monumentos protegidos
em praças vazias
.
Recorrentes anos-luz
de distância
entre memória e verdade
.
Na urbanidade
que inventamos
ao menos viva a poesia.

Declaração Desafinada

Eliane Guaraldo
11-vi-10
Eu te amo muito mais do que confesso
nestes verbos que persigo em desatino
e as palavras despejadas neste impresso
são nascidas de um desejo repentino.
.
Eu te amei, há muito tempo, de outras eras
e ao passares nas esquinas do destino
pra ajustar o meu caminho à tua espera
me tornei um acrobata, um bailarino.
.
Mas palavras que me explicam são pequenas
e eu preciso te encontrar o pensamento
pra dizer que existe um mundo à nossa espera
.
Tenho pressa que o infinito seja - apenas
incrustado como gema a este momento
com o sentido que à palavra a vida gera.

Madrugada

Eliane Guaraldo
9-vi-10
Eu sonho e me adianto
dos sonhos que inda vou ter
não os tendo tenho o encanto
da palavra que pra ser
.
há de ser assim, soletra
sem no entanto concessão
do sentido que impetra
sentimento em profusão
.
de nuvem a real imagem
Auspício da madrugada:
tu me vens e me entrelaças
.
Que sejas não paisagem
mas janela escancarada
da vida servida em taças

Amor de Manhã


04-vii-10
.
Não és imortal! és chama
e assim, dos teus finitos
os meus sentidos acordes.
.
Quero este sol que me chama
perto do que seja grito
desperto da noite acordes.
.
Dos teus abraços me invadas
Inundem de luz palavras
Felizes de apenas ser
.
Amar-te assim e mais nada
Na nua poesia que lavras
Pronúncias do teu prazer

Energia

Eliane Guaraldo
22-iii-10
.
Tenho o quê para que acordes?
Então não percebes que(m) chama?
te portas qual plácida dama
que contempla, mas não sorve.
.
Os acordes dissonantes
não hás de esperar a chama
se só ao poente se inflama
criemos o depois, o antes.
.
Sorve a essência de agora
tempo é só a apologia
de quem aposta em partida
.
O sol já te comemora
nada importa que não é dia
não adia o que é de vida

Vasta Natureza (cordel em décimas)

Eliane Guaraldo
15-09-05
.
Na tua vasta natureza
rica de belas imagens
guardas tuas tantas viagens
às margens do rio, tua mesa
e eu sou a correnteza
onde tua sede sacias
a garganta amacias
deste eterno movimento
pois sou eu o teu alento
seu tempo, sem nostalgias.
.
Na minha vasta natureza
rica de belas imagens
guardo a tua nestas margens -
cristalizada beleza:
no escuro, a luz acesa
onde a lua enluará
dos reflexos que em ti há...
não sei quanto, tanto tempo
serei eu o teu alento
e quanto estarás pra ficar.
.
Na tua vasta natureza
bordas de sal tuas pedras
parede coberta de heras
no chão, solidez e certeza
e eu sou a correnteza
rastro, extrato e pulsar
substrato, um avatar
um ciclico movimento
mas sou eu o teu alento
mesmo se sais, passear...
.
Na minha vasta natureza
Bordas de sal minhas correntes
Salpicas temperos ardentes
(às margens do rio, tua mesa)
no escuro a luz acesa
na clareza, transparência
Minha sólita consciência
Questiona-me todo tempo
Que estou por teu alento
A transbordar em querência.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Utopia

(poema inédito de Edimo Ginot)


A utopia
nunca vingou
virou
sonho de consumo
consumiu
quem a sonhou

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PECADO ( em 3 interações)

Eliane Guaraldo
03-vi-10

Quem há de dizer que não cometeu pecado
Se ao dizê-lo cai na mesma armadilha
A vontade de acertar, do erro é a pilha
A verdade de quem peca é o lado errado.

Se o pecado se repete todo dia
Se transforma em virtude pra quem fez
Certo e errado é sempre a forma como vês
Pra pecar que o façamos com maestria.

Prometo nunca mais pecar assim
Mas cada dia de um modo diferente
De uma forma que os meus feitos não me negam.

Aos que julgam mal que saibam: atrás de mim
Vem decerto o desdém de toda gente
E além, todos os pecados que carregam!



UniVerso

30-v-10
.
Nova ordem nosso mundo prenuncia
e a quantos queiram ver ela se deixa
A frequência e vibração em que se enfeixa
é o que explica esta grande sincronia.
.
Onde estão todos os duplos desta terra
onde as urbes de origem floresceram
energias que os sonhos precederam
e as idéias que o nosso ser encerra.
.
Se disser que aqui mesmo onde nascemos
é pra onde vamos, rumo ao eterno,
já que somos u'a centelha do divino.
.
Tocaremos sóis e auroras, se o crermos
a palavra e todo gesto será terno
e reais serão os "sonhos cristalinos".

De Passagem (para Odir Milanez da Cunha)

Eliane Guaraldo 12/III/10


Estamos sempre em passagem
aves sem pés nem paradas
a mastro nenhum atadas
em permanente viagem

Se uma pausa para a água
breves segundos que temos
são vidas as que vivemos
entre um prazer e u'a mágoa

Dê-me pois a tua escrita
no interegno da viagem
qual a mão que acaricia

o coração que palpita
o amor dentro da bagagem
e o prazer da poesia!

DE PASSAGEM - PARA ELIANE GUARALDO

Odir Milanez a Cunha

De passagem estamos nesta vida,
de passagem, sem nada incorporar.
Por certo, algum instinto nos convida
à sequência, sem descontinuar...

A imagem que nos vem é a de urdida
e bem urdida peça se encenar,
seguindo uma sequência definida
que a algum desfecho possa encaminhar...

É o que o circo mostra externamente
a seguir-se montagem a desmontagem
de uma cidade a outra indo à frente.

Sempre se mudam drama e personagem,
autor, ator e o público assistente,
tudo como no palco: de passagem!


Odir, agradecido, de passagem
Amor sem Tempo

Por onde anda o que juras que não viste?
O que vive aqui e está em toda essência
E onde anda esta enorme consciência
Que descreves em maestria se não existe?

Onde passas primaveras te esquecendo
Que as flores que tocavas eram dele
Tanto espinhos como a mais viçosa pele
Que permitem relembrar-te revivendo ?

Pensamento aprisiona-nos a crenças
E enquanto planejamos, nos ilude
Refaçamo-nos por ser, simplesmente...

O amor está aonde não o pensas
Mas o sentes em completa plenitude
Com o corpo, com a alma e não a mente

sábado, 24 de abril de 2010

Notas de essência

24-iv-10
Não me esforço para procurar resposta
Estou aqui- e é simplesmente o que me basta -
onde o querer ao sentimento se engasta
é onde a alma quer estar e sei que gosta.
...
E esta pungente ânsia de resposta
que levara de maneira tão fremente
indagar: - qual o futuro do presente?-
desmorona claramente, se esgota.
...
As idéias que na mente são criadas
moram longe da profunda consciência
cada uma em seu lugar, nunca te enganes!
...
De onde estão, profundamente enraizadas,
não alcançam tua verdadeira essência
e é com esta que me gritas: Eliaaaaaaneeee

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pássaros urbanos



No pentagrama
da fiação urbana
pássaros solfejam sua canção.

Ricardo Mainieri

sábado, 3 de abril de 2010

Pássaros de Corumbá






































(homenagem ao artista
que em madeira local
cria os pássaros do Pantanal)

02-iv-10

De Corumbá trouxe um "Fritz"
Para não deixar de olhar
Os passaros que ao luar
cantam, (quiçá um pouco tristes)

Sei que um dia não haverá
-eles se sabem acabando-
tanto que, de vez em quando
se deixam fotografar.

Mas o arquiteto do mundo
suas doces criaturas
soube não desamparar.

Num ato de amor fecundo
também criou, de mãos puras,
o artista que as desenhar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ponto de Corte

15-III-10

Por mais que se fale
foi pouco o que se disse
por maior fosse a magoa
nunca afogou

A crueza da atitude
desconstroi integridades.
não houve meta
insofismável.

O maximo de esforço
em nada resulta:
a sutil leveza
perdura dentro de nós

procedendo transformações.

Árida travessia

por Ricardo Mainieri


É preciso atravessar os dias.
Apesar da ferocidade dos carros
& da beligerância dos humanos.

É necessário empreender rotas de fuga.
Para escapar das armadilhas
& artimanhas das palavras
& dos sorrisos movediços.

É urgente acender luz própria
em meio à escuridão...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Solo para Michael Brecker

Jazz em silêncio
um sax.

A ferocidade
das notas
foi aplacada.

Um solo
aquoso
se derrama do instrumento.

Never more
as frases tortuosas
coltranianos improvisos.

Morte não manda aviso :
implacável
cobra seu couvert...


Ricardo Mainieri

********************************************************

Faleceu em 14/01/2007 o saxofonista Michael
Brecker. Este poema é um singelo gesto
de admiração e respeito.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bebop

O jazz
aquece a noite
generoso sopro
subtrai a escuridão.

Charlie Parker
passeia
(invisível)
pela sala.

Se instala
no lado avesso
da razão.

A raça humana
cartesiana
sai em busca
de outros tons.

___________________________________
dando continuidade aos poemas
jazzísticos...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Happy Hour

Você me fala de jazz
eu faço que escuto

Mas no fundo
mergulho nos seus olhos
como quem nada
mar aberto


(fale que escuto
uma nota sequer)


Um pouquinho de tocar
trocamos de posição
e você me faz falar

Dave Brubeck me odeia
usar o seu nome em vão
perdendo horas inteiras
em falsa argumentação

Ao fim e ao cabo
de um whisky bem sorvido
resolvemos:
nunca se discutiu com tanta propriedade
a qualidade
do antigo jazz

sábado, 13 de março de 2010

Identidade (Paisagem)

13-III-10
Os meus olhos não te vêem, paisagem
Os teus sumos não estão em minhas veias
Mas em modos litorais eu, de passagem,
Me assalto de tuas terras de fronteiras.

Vim de um mundo de janelas ao oceano
Onde os ventos me traziam seu espelho
Ao distante e extemporâneo eu me assemelho
À muralha, ao movimento- e não ao llano.

Ai de mim, que ando míope de sentidos
Procurando a minha imagem neste rio
E te enxergo simples e desconhecido.

Sobre ti ainda medito-errônea-mente
Pois profusas vidas tens em teu "vazio"
Que não invadem, mas conquistam lentamente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Koan

mente tece
invisível veste
atonal melodia

tudo e nada
simultânea mente

Ricardo Mainieri

___________________________________________

Koan é um tipo de "adivinha" do budismo-zen.
O sentido do texto é captado pela intuição...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

uma pedra nos tempos modernos ou considerações insanas a respeito do nosso tempo


tudo é tão rápido e tão impreciso
tudo tão novo e ao mesmo tempo velho
que já não avalio o que eu preciso
no novo mundo no qual me espelho

tudo é tão grande e tão violento
tudo tão perto e ao mesmo tempo longe
ao meu alcance todo o conhecimento
para mim e ao mais recluso monge

tudo que é útil tem um quê de fútil
como se o vazio preenchesse o nada
pra dar a impressão de que sou inútil
e que a minha vida é que está errada

mas de nada vale tanta novidade
se o que eu preciso é amor e paz
o que eu busco é a felicidade
que a gente só acha se for capaz

se me deparo com uma pedra no caminho
eu dou a volta e ela não me atrapalha
se ficar pensando vou ficar doidinho
e eu não acho que a pedra isso valha

domingo, 13 de dezembro de 2009

Em Tempos de Encanto


(para Fátima Leal)
02-10-05

O tempo de encanto
desfez o tempo vazio
e a poesia fluiu:
do sarau invadiu
as calçadas do rio;
a mensagem serviu
de lastro ao navio
aos amores o cio
libertou mão servil
e o silêncio ruiu
na palavra viril
que continha um encanto...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu quero falar de Amizade (para Jorge Sales)

12 de setembro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo,
em www.jorgesales.com.br

Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.

Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão … sem explicação”
Um mote mais que perfeito.

Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou mal pensamento
Desenvolve o acalento
Sinceridade é seu fruto.

Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.

Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kunstwollen

No recôndito espaço
das temporárias vestes
que já é pequeno para músculos, veias,
habita certo coração.

É pequeno demais
para comportar
mais do que as próprias células
ocupadas com sua vegetatividade,
- que dirá algum afeto?

Suas buscas são de imagens
visões, transformações
infinitos afora
enquanto sem resolução
permanece este pra quê? da vida

Devia o querer ir além de apenas respirar
- algo de dar cor e beleza ao cotidiano
uma vontade de arte incessante
que resiste e pulsa
contra todas as expectativas

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quero sem pátina, sem tempo

com desvelo , realejo

adivinhar tua chegada!



quero me surpreendas sempre

sem receio, sem pecado

imprevisivelmente...



de olhos vendados
imagem
tocada

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Duerme La Negra

Enquanto o gás nos fazia chorar
Mercedes Sosa cantava
Me gustan los estudiantes.

Ela que trazia a Latino-américa
no semblante & na voz.

Enlaçava nosotros
em Los Hermanos
dando Gracias a la vida.

Sí fué para nuevos mares
assim como Alfonsina.

Entonces ahora
en silêncio
Duerme Negrita...


Ricardo Mainieri


____________________________________________________



La Negra foi um dos mais famosos apelidos
de Mercedes Sosa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O POEMA

era qual colcha bordada
passamanarias

mostrei-o recolhendo a voz
no olhar profundo

quando o leres
quando queiras



saberás mais de mim

que minha história.

deixarás as letras tolas
no vazio, o não-lugar

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Poemínimos no Livro da Tribo 2010/2011

Mata Atlântica
em teu verdazul
ancoro meus olhos
ainda preservados.

__________________________________

Sol na praia
é como bênção
na cidade: danação.

__________________________________


Cravo temperando
tua pele chocolate
anis & afeto no coração.

Ricardo Mainieri

___________________________________



Estes poemínimos foram selecionados
para o Livro da Tribo 2010/2011.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Entropia

Redescobri a palavra
entropia.

Adentrei na desordem
na lenta desintegração
dos sistemas.

Humanos & estruturais.


A oxidação
a ferrugem
e o caos
nos persegue.

Poderemos detê-los?


Ricardo Mainieri

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pertencimento

de mãos dadas com o desconhecido
caminho você.
que me tem

absorto me conduz
por olhos e visagens tantas
como experiência do sentido.

Não há ilusão
mas crença
consciencia extrema
de pertencimento.

Realidades

Torcidas e contorcidas
como os galhos
desta paisagem cerrada
onde nada
é o que parece
nem parece o que é


bloominantes como os ipês na floresta
exaustivamente horizontal e infinita


REALIDADES

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Emulação

Eliane Guaraldo
25-iv-09

Pareces como a lua:
Em noites albas
Surpreendes quietudes

Mas alturas que galgas

São só visagens

Nas paisagens
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.

Presença

(para Jorge Sales)
10-v-09

Estás bem onde a alegria se derrama
E no fundo de uma prece antes da ceia
No desejo que invade e incendeia
E na dança delicada de uma chama

Estás quase nas palavras, minha voz
Num amigo que aparece de surpresa
Com a canção que me mostraste, ainda acesa,
(já entregue em silêncio a todos nós)

Estás sempre onde preciso e ao meu lado
Eu te vejo todo tempo, te adivinho
Em verdade o meu sentido te pressente.

Se conjugas no futuro do passado
Tua presença, para sempre em meu caminho
Só me fala do infinito do presente.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Vento




Hoje um dia que não termina
suas vestes,doces mãos 

a me alisar cabelos
no vento deste campo grande

infinito que invento 


de tanta presença
na ausência
de mais sentidos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Light side

Corpo
em contraluz:
o desejo se ilumina...

Ricardo Mainieri

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Singelo

Fio de emoção
j
o
r
r
a
entre mentes compactas.

Feito grama
gerada no asfalto
denso.

Sonha tornar-se rio
(a)fluente
de humanidade.

Prosseguir
ligando utopias
& mares.

Quem sabe
um dia...


Ricardo Mainieri

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tempos de Espera

Em tempos de espera
se espera pelo que não se tem

e n t r e m e n t e s

Em tempos de espera
agoniza a paz da guerra
e cedo se liquefaz
sob arrebatamento
esvai-se sem linimento
que já não lhe satisfaz
as paixões, o sentimento
vivem por seu movimento
triunfa a guerra da paz

Depoimento

apague depois de ler
apague o que é de ter
afague o que é de ser
como o dia de amanhã
que se espera e não se alcança
pois já ESTÁ em tuas entranhas.
se estranhas o que vês
sempre estampas sempre tempos
no fundo sabes de cor
(qual a cor dos entretempos
voláteis e tão intensos!?
eu pré-sinto, sinto e temo
por meus próprios sentimentos)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Me nino

Lágrimas
trouxeram à tona
meu menino adormecido no mar
inconsciente.

Solicitava entrevista
breves instantes de meu trabalho.

Inocente
como se não soubesse
que desse modo
ganho a vida.

Resolvi desmarcar compromissos
e atendê-lo
agora.

Uma paz se irradiou
em toda minha superfície
humana...

Ricardo Mainieri

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Outra Poesia

26-IX-08

O tempo é inexorável
mas errou desta vez
O que era cristalino desfez
em água turva e instável.

Memorável feito, aplaudo
Com as mãos hoje vazias
dos poemas que tu lias
devolvendo em riso caldo.

Poesias não tenho mais
e de ler tu não haverás
mas resta o olhar que conheces.

Haverá de ficar a poesia
inexorável como mais esse dia
que me afasta de minha própria prece.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Isometrias distantes

eu tento acertar o passo

sem cerrar os olhos


mas o horizonte

de sorte que cambiante


mira-me no infinito

por isometrias distantes.

















quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Eu quero falar de Amizade

(para Jorge Sales)
09-IX-08

Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.

Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão ... sem explicação”
Um mote mais que perfeito.

Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou ressentimento
Desenvolve em acalento
Sinceridade é seu fruto.

Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.

Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ocaso





De ocaso em ocaso
nasce outro -mais um - dia
recomeçando uma história
em ducentésima versão.
.
O sol deseja mostrar-se
rei dadivoso
banhar de luz, magnânimo
as nossas singelas vidas.
.
Mas os edifícios são altos
e as suas sombras longas
mascaram de sépia
nossa maior parte.
.
A vontade do brilho
esmaece
sob os (e)feitos magnânimos
dos artefatos humanos.
.
Mais outro ocaso
- caso sério:
A poesia que queria
mas não veio pra germinar.
.
Quer-se talvez esparsa
quer-se volátil
presa fácil
dos labirintos da memória.
.
Quer-se leve
e de tão breve
deixe, como o sol,
o voltar pra depois
.



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

NOITE DANÇANTE

Festa à noite.
Boa dança.
A morte da nostalgia..
Com certeza no final ,
chegaria um belo dia.
Eu estava feliz.
Parecia uma criança.
Muita luz.
Muita esperança…
Noite quente.Noite fria.
O baile era uma seta
indicando a alegria.
Foi quando vi a poeta,
deslizando no salão.
Seu sorriso estampava,
algo além da emoção.
Com seus belos movimentos,
ela seguia adiante,
ali naquele momento,
naquela festa dançante.
Acho que ela pensava
em versos, contos, cordéis.
Como se recitasse.
Recitasse com os pés.

Jorge Sales (em
http://www.jorgesales.com.br/)

Na noite, festa dançante
com os pés, o pensamento
desenhando o firmamento
de beleza estonteante!
.
Ela veio sem alardeio
rodopiar de alegria
com mimo e sem fantasia
contar a que foi que veio

Fez com a palavra a canção
com as mãos fez o universo
delineado em re-verso
formato de coração.

Não sei quando ela parou
(nunca termina a magia)
Seu nome era POESIA
pra sempre me cativou.

Eliane Guaraldo

domingo, 3 de agosto de 2008

Quando Amor Silencia(homenagem a Jorge Sales, em seu cordel Quando o Amor Silencia, www.jorgesales.com.br)
28-VIII-08
.
Quando o amor silencia
mas no peito ainda arde
não é quando chega tarde
nem quando se nostalgia
nem é quando se alheia:
se ainda corre na veia
ele ainda contagia.
.
Quando o amor silencia
mas não acabou ainda
não é a paixão que finda
nem tampouco a fantasia
-Apenas adormecido
é seu segredo mais lindo
renascer feito magia.
.
'Inda quando se debate
em desacordo e porfia
Quando o amor silencia
a paixão faz o resgate
a arte do entendimento
reconstrói o sentimento
traz de volta a alegria.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Recado para um Amigo

17-VII-8
quero ser um a mais do que a rotina
não fazer parte da sina
teu amargo cotidiano

eu quero no ano após ano
a surpresa que te bate à porta

quero na pele que dorme despertar sempre
em renovada descoberta

a porta aberta ao coração permanece;
nunca imune aos sentidos
guarda, te guardo o segredo,

Pois desse Deus que esqueces
serei eu a te trazer notícia.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Notas sobre o Dia Mundial do Ambiente

No Dia Mundial do Meio Ambiente
O Ambiente Inteiro quer-se parte imanente
data permanente
dentro de nós

Não uma folha no calendário

Saltar dos tratados e resoluções
das teses e dissertações
conferências e academia
E descer ao dia-a-dia
fazer parte de emoções
-artifício humano
da criação divina-

No Dia Mundial do Meio Ambiente
o homenageado chora*
e com ele o homem.



Notas
( *) corações aquecidos demais, lágrimas de geleiras derretidas; por gerações perdidas no ventre da miséria e desesperança; enquanto isso, pulmões incinerados, estômagos carbono-atados, arrotamos coca-cola .

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Nubladas previsões

Céu grisalho
reflete
nuances interiores.

Espelha
momentos insípidos
ríspidos contatos cotidianos.

E a vida não se recicla.

Perde-se um pouco
no marchar monótono
dos relógios.

Procuro a lógica
nas pessoas & estruturas.

Ela -contudo-
esvaiu-se.

Saiu por aí
sem nome ou endereço
deixando inquietações.

Como prêmio
ou maldição...


Ricardo Mainieri

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Só se vive duas vezes

o2-vii-o8
Dei todas as vidas que tinha
para vidas que nunca terei.

Ousei ser o meu destino
fazer-me o meu próprio rei.

Por não ter eu não perdi
sofri o que não passei.

De todas as vidas que tinha
só duas eu pude ser.

Uma delas foi a minha
outra, o sonho de viver.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Jorge Sales

1-7-8

Santo Espírito esse que te guarda
e com tanta formosura
se faz de tua morada…

Namorado da poesia
nenhuma terra é maior
do que a alegria em teu peito

De canto en-canto se faz
A paz te deixa poeta
e a gente nunca se cansa

De te querer sempre mais.

sábado, 14 de junho de 2008

Ser contemporâneo

2-VI-8

Serei ser contemporâneo
herdeiro confesso
de uma era
da desilusão

serei mais, um a mais
neste estúpido mundo
sem explicação

contando os dias que foram
sem esperar os que virão

Morno e sem alma
como comida de self:
serve-se...mas não serve
para satisfazer a fome
nem a vontade de comer

Sem sangue, sem arrojo,
com nojo da emoção
fugindo do prazer
tentando fugir da dor

Sem viver
prá não arriscar um arranhão.
.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Circular

28-V-08

.
mesmas
paisagens
paragens
do pensamento.
estações
sucedem-se
-sufocantes.
os pensares
-CIRCULARES
procedem
de ilusões
.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cria

Já é cedo
Ainda é tarde
pra palavra
inesperada.
Segredo.

Já o dia
o ocaso
o sentimento
não esvazia.

Cria

Já canção
soletrada
depois do destino
no fundo da gaveta.

Estava lá
Era tarde para mais
Palavras.

quarta-feira, 26 de março de 2008

High life

Ipod, palm, notebook
são fetiches high tech
prefiro, ainda, os de carne & osso...


Ricardo Mainieri

quinta-feira, 13 de março de 2008

Song is in the air

Um trumpete
sangra em blues
em meio à mesmice
do shopping.

Estaciona fora
das escalas permitidas.

E some no ar
o consumo reacende...

Ricardo Mainieri

domingo, 9 de março de 2008

ESTRELAR PAIXÃO*

Fernando Cunha Lima
9-3-8
.
Uma estrela se viu apaixonada,
E despencou do céu, um certo dia.
Foi tanta confusão no que fazia,
Deixando a galáxia transtornada.
.
Mudou o rumo, não foi encontrada,
Mudou de mundo e de fantasia,
Achar um coração ela queria,
Para ali fazer sua morada.
.
E ninguém pode então fazer mais nada,
Seus caminhos no céu, a sua estrada,
Incandescentes, os seus raios somem.
.
Quem precisar de orientação,
Use outro meio, outra solução,
Pois ela mora no peito do homem.
.
*Sonetando Eliane, rs. beijos estrelares.
Nando 09-03-08.

Stela



Stela
 Eliane Guaraldo

26-2-08


Quero te tocar,
 linda estrela!
 (não minha)
 .
 Alcançar
 de teus destinados trajetos
 uma só centelha
 e rev(iv)er incêndios.
 .
 Eu, que já tive
 tanta pressa de chegar
 agora te observo
 mero astrolábio.
 .
 Com olhos a bordo
 O coração no espaço
 Mas os pés fincados ao solo.






Je veux te toucher, 
 jolie étoile !
 (pas mien)
 .
 Atteindre
 de tes destinés passages
 un seul éclair
 et re(vivre) incendies.
 .
 Je, que j'ai déjà eu
 autant vitesse d'arriver
 maintenant je t'observe
 simple astrolabe.
 .
 Avec des yeux à bord
 le coeur dans l'espace
 Mais les pieds pris au sol

O Grito

Eliane Guaraldo
10-XII-07

Corpo sem alma
amargurada prece
juntadas forças
que se desconhece
.
Alma vazia
de partilhas feitas
de amor per-doado
em margens estreitas.
.
Juntei as palavras
arranquei uns gemidos
feri-me por letras
em motes partidos
.
Deitada na vida
de morte incerta
mesclei nervo e pedra
e de boca aberta
.
soltei o meu grito.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Amor Acústico

Eliane Guaraldo
23-2-8
.
Tua voz
toma a vez
do meu silêncio.
.
Tua palavra
Eu recôndito
Acorde.
.
Teu som
persiste
meus tempos.
.
Notas
que desdobro
do meu amor acustico.