Odir, de passagem
(Por conta das contas da poeta Eliane Guaraldo)
Eu fiz um balanço inédito
no quanto amei. O inventário
compus com tanto descrédito
que me senti um otário!
Levantei todo o meu crédito
nas colunas do Diário,
no Caixa colhi o débito
dos beijos por crediário.
No passivo do pecado
me perdi. Fui condenado.
Da Justiça li o édito.
Mas tendo o ativo aprovado,
pelo tanto que hei amado,
quanto ao amor tive rédito!
JPessoa, 11.11.10