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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Me nino

Lágrimas
trouxeram à tona
meu menino adormecido no mar
inconsciente.

Solicitava entrevista
breves instantes de meu trabalho.

Inocente
como se não soubesse
que desse modo
ganho a vida.

Resolvi desmarcar compromissos
e atendê-lo
agora.

Uma paz se irradiou
em toda minha superfície
humana...

Ricardo Mainieri

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Outra Poesia

26-IX-08

O tempo é inexorável
mas errou desta vez
O que era cristalino desfez
em água turva e instável.

Memorável feito, aplaudo
Com as mãos hoje vazias
dos poemas que tu lias
devolvendo em riso caldo.

Poesias não tenho mais
e de ler tu não haverás
mas resta o olhar que conheces.

Haverá de ficar a poesia
inexorável como mais esse dia
que me afasta de minha própria prece.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Isometrias distantes

eu tento acertar o passo

sem cerrar os olhos


mas o horizonte

de sorte que cambiante


mira-me no infinito

por isometrias distantes.

















quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Eu quero falar de Amizade

(para Jorge Sales)
09-IX-08

Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.

Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão ... sem explicação”
Um mote mais que perfeito.

Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou ressentimento
Desenvolve em acalento
Sinceridade é seu fruto.

Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.

Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ocaso





De ocaso em ocaso
nasce outro -mais um - dia
recomeçando uma história
em ducentésima versão.
.
O sol deseja mostrar-se
rei dadivoso
banhar de luz, magnânimo
as nossas singelas vidas.
.
Mas os edifícios são altos
e as suas sombras longas
mascaram de sépia
nossa maior parte.
.
A vontade do brilho
esmaece
sob os (e)feitos magnânimos
dos artefatos humanos.
.
Mais outro ocaso
- caso sério:
A poesia que queria
mas não veio pra germinar.
.
Quer-se talvez esparsa
quer-se volátil
presa fácil
dos labirintos da memória.
.
Quer-se leve
e de tão breve
deixe, como o sol,
o voltar pra depois
.



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

NOITE DANÇANTE

Festa à noite.
Boa dança.
A morte da nostalgia..
Com certeza no final ,
chegaria um belo dia.
Eu estava feliz.
Parecia uma criança.
Muita luz.
Muita esperança…
Noite quente.Noite fria.
O baile era uma seta
indicando a alegria.
Foi quando vi a poeta,
deslizando no salão.
Seu sorriso estampava,
algo além da emoção.
Com seus belos movimentos,
ela seguia adiante,
ali naquele momento,
naquela festa dançante.
Acho que ela pensava
em versos, contos, cordéis.
Como se recitasse.
Recitasse com os pés.

Jorge Sales (em
http://www.jorgesales.com.br/)

Na noite, festa dançante
com os pés, o pensamento
desenhando o firmamento
de beleza estonteante!
.
Ela veio sem alardeio
rodopiar de alegria
com mimo e sem fantasia
contar a que foi que veio

Fez com a palavra a canção
com as mãos fez o universo
delineado em re-verso
formato de coração.

Não sei quando ela parou
(nunca termina a magia)
Seu nome era POESIA
pra sempre me cativou.

Eliane Guaraldo

domingo, 3 de agosto de 2008

Quando Amor Silencia(homenagem a Jorge Sales, em seu cordel Quando o Amor Silencia, www.jorgesales.com.br)
28-VIII-08
.
Quando o amor silencia
mas no peito ainda arde
não é quando chega tarde
nem quando se nostalgia
nem é quando se alheia:
se ainda corre na veia
ele ainda contagia.
.
Quando o amor silencia
mas não acabou ainda
não é a paixão que finda
nem tampouco a fantasia
-Apenas adormecido
é seu segredo mais lindo
renascer feito magia.
.
'Inda quando se debate
em desacordo e porfia
Quando o amor silencia
a paixão faz o resgate
a arte do entendimento
reconstrói o sentimento
traz de volta a alegria.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Recado para um Amigo

17-VII-8
quero ser um a mais do que a rotina
não fazer parte da sina
teu amargo cotidiano

eu quero no ano após ano
a surpresa que te bate à porta

quero na pele que dorme despertar sempre
em renovada descoberta

a porta aberta ao coração permanece;
nunca imune aos sentidos
guarda, te guardo o segredo,

Pois desse Deus que esqueces
serei eu a te trazer notícia.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Notas sobre o Dia Mundial do Ambiente

No Dia Mundial do Meio Ambiente
O Ambiente Inteiro quer-se parte imanente
data permanente
dentro de nós

Não uma folha no calendário

Saltar dos tratados e resoluções
das teses e dissertações
conferências e academia
E descer ao dia-a-dia
fazer parte de emoções
-artifício humano
da criação divina-

No Dia Mundial do Meio Ambiente
o homenageado chora*
e com ele o homem.



Notas
( *) corações aquecidos demais, lágrimas de geleiras derretidas; por gerações perdidas no ventre da miséria e desesperança; enquanto isso, pulmões incinerados, estômagos carbono-atados, arrotamos coca-cola .

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Nubladas previsões

Céu grisalho
reflete
nuances interiores.

Espelha
momentos insípidos
ríspidos contatos cotidianos.

E a vida não se recicla.

Perde-se um pouco
no marchar monótono
dos relógios.

Procuro a lógica
nas pessoas & estruturas.

Ela -contudo-
esvaiu-se.

Saiu por aí
sem nome ou endereço
deixando inquietações.

Como prêmio
ou maldição...


Ricardo Mainieri

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Só se vive duas vezes

o2-vii-o8
Dei todas as vidas que tinha
para vidas que nunca terei.

Ousei ser o meu destino
fazer-me o meu próprio rei.

Por não ter eu não perdi
sofri o que não passei.

De todas as vidas que tinha
só duas eu pude ser.

Uma delas foi a minha
outra, o sonho de viver.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Jorge Sales

1-7-8

Santo Espírito esse que te guarda
e com tanta formosura
se faz de tua morada…

Namorado da poesia
nenhuma terra é maior
do que a alegria em teu peito

De canto en-canto se faz
A paz te deixa poeta
e a gente nunca se cansa

De te querer sempre mais.

sábado, 14 de junho de 2008

Ser contemporâneo

2-VI-8

Serei ser contemporâneo
herdeiro confesso
de uma era
da desilusão

serei mais, um a mais
neste estúpido mundo
sem explicação

contando os dias que foram
sem esperar os que virão

Morno e sem alma
como comida de self:
serve-se...mas não serve
para satisfazer a fome
nem a vontade de comer

Sem sangue, sem arrojo,
com nojo da emoção
fugindo do prazer
tentando fugir da dor

Sem viver
prá não arriscar um arranhão.
.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Circular

28-V-08

.
mesmas
paisagens
paragens
do pensamento.
estações
sucedem-se
-sufocantes.
os pensares
-CIRCULARES
procedem
de ilusões
.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cria

Já é cedo
Ainda é tarde
pra palavra
inesperada.
Segredo.

Já o dia
o ocaso
o sentimento
não esvazia.

Cria

Já canção
soletrada
depois do destino
no fundo da gaveta.

Estava lá
Era tarde para mais
Palavras.

quarta-feira, 26 de março de 2008

High life

Ipod, palm, notebook
são fetiches high tech
prefiro, ainda, os de carne & osso...


Ricardo Mainieri

quinta-feira, 13 de março de 2008

Song is in the air

Um trumpete
sangra em blues
em meio à mesmice
do shopping.

Estaciona fora
das escalas permitidas.

E some no ar
o consumo reacende...

Ricardo Mainieri

domingo, 9 de março de 2008

ESTRELAR PAIXÃO*

Fernando Cunha Lima
9-3-8
.
Uma estrela se viu apaixonada,
E despencou do céu, um certo dia.
Foi tanta confusão no que fazia,
Deixando a galáxia transtornada.
.
Mudou o rumo, não foi encontrada,
Mudou de mundo e de fantasia,
Achar um coração ela queria,
Para ali fazer sua morada.
.
E ninguém pode então fazer mais nada,
Seus caminhos no céu, a sua estrada,
Incandescentes, os seus raios somem.
.
Quem precisar de orientação,
Use outro meio, outra solução,
Pois ela mora no peito do homem.
.
*Sonetando Eliane, rs. beijos estrelares.
Nando 09-03-08.

Stela



Stela
 Eliane Guaraldo

26-2-08


Quero te tocar,
 linda estrela!
 (não minha)
 .
 Alcançar
 de teus destinados trajetos
 uma só centelha
 e rev(iv)er incêndios.
 .
 Eu, que já tive
 tanta pressa de chegar
 agora te observo
 mero astrolábio.
 .
 Com olhos a bordo
 O coração no espaço
 Mas os pés fincados ao solo.






Je veux te toucher, 
 jolie étoile !
 (pas mien)
 .
 Atteindre
 de tes destinés passages
 un seul éclair
 et re(vivre) incendies.
 .
 Je, que j'ai déjà eu
 autant vitesse d'arriver
 maintenant je t'observe
 simple astrolabe.
 .
 Avec des yeux à bord
 le coeur dans l'espace
 Mais les pieds pris au sol

O Grito

Eliane Guaraldo
10-XII-07

Corpo sem alma
amargurada prece
juntadas forças
que se desconhece
.
Alma vazia
de partilhas feitas
de amor per-doado
em margens estreitas.
.
Juntei as palavras
arranquei uns gemidos
feri-me por letras
em motes partidos
.
Deitada na vida
de morte incerta
mesclei nervo e pedra
e de boca aberta
.
soltei o meu grito.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Amor Acústico

Eliane Guaraldo
23-2-8
.
Tua voz
toma a vez
do meu silêncio.
.
Tua palavra
Eu recôndito
Acorde.
.
Teu som
persiste
meus tempos.
.
Notas
que desdobro
do meu amor acustico.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

DESCONHECIDO PROFUNDO

26-I-08

Diz tão perto em meu ouvido
que seu calor me aquece
assim incrustrado de palavras
pavilhões acústicos
habilmente desenhados
só para os seus sons.

Diz-se de qualquer prece
qualquer canto
que seja não proclamado
para câmaras indiferentes
mas sussurado, docemente
para os mundos singulares:

Ressonâncias estelares.

Disse que estou nestes mundos
a força que nos tem
por indecifrável sentimento.

Centenas de anos-luz
separam a calçada e o meio-fio
perto da distância que nos tem unido.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

POEMA PARA NINGUÉM

Eliane Guaraldo
9-II-8
.
.
De tão pura e cristalina
essa água não foi bebida.
.
De tão tua esta vida
tu não a deste a ninguém.
.
De tão longe e tão zen
eu não soube como chegar.
.
De tanto fitar
eu quase já não te vejo.
.
E todo desejo
foi parar neste poema.
.
cujo tema
(cíclico)
nunca termina.
.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A ordem celeste dos jardins

Eliane Guaraldo
7-II-8

Ah esse jardim infinito!
de semeadores
-obreiros anônimos-
a plantar sempre e tanto
sem jamais colher
como distrai e extasia!

Durante o dia
não descansam
(a vista engana:
abóbada vazia)

Mas, cai a noite
e hei-los, todos!
por sua obra:

E s t r e l a r i a.

de fazer inveja
a qualquer crochet
de Mariana.

O lugar de cada planta
cada planta em seu lugar
a fitar como num espelho
sua estrela gêmea
no firmamento.

Estrelas na terra
Jardins no céu
Mnemonia...

E então chegou Lineu e bagunçou toda ordem celeste dos jardins
com sua mania
de pôr plaquinhas
e batizar em latim.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Abalo de Estrutura

29-01-08
Choveu foram lágrimas
drenagem interrota -
o quê de sofrer?
.
Um fauno solitário
sua pan anestesia.
Quem eu?
.
Mas este tênue e longo fio de tempo esticado sobre tanto mundo
(tanto sentimento)
nada pergunta:
.
Tensionando os extremos
trabalha no limite
e provoca rupturas.
.
Não rui a estrutura.
Não desaba essa obra.
se não for eu a força?
.
Olhando de perto
ferro a descoberto
oxidação.
.
O sólido concreto
pelos veios de cal
derrama à exaustão.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Distante


Eliane Guaraldo

23-01-07

Noite azul e estrelada
para ti, já é madrugada
na madrugada extensa do exílio.

Um sonho a acalentar terra distante
uma estrela ao longe 'blinka'
no compasso duma espera angustiante.

Tempos sabidos de cor não são precisos
no relógio oscuro da existência
pois as cores esmaecem ante agendas.

Mas não o sentimento.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

História de Amor com fim

Eliane Guaraldo
24-I-08

A energia convergiu nesse momento
o mundo pareceu sumamente grande
e ruidoso o que era insignificante
.
Após o escuro enfim lhe veio a visão
a estrada certa ao invés da contramão
porque a vida enfim vencia dentro em si
.
E o ar tornou-se fonte e inspiração
aprendeu usar a cor e a fantasia
Inspirar amor, exalar poesia
sem mais tempo pra interrogação
.
Despertar era importante de repente
e andar de bicicleta como infante
aprender com o por do sol e com o levante
e viver passou a ser mais do que urgente
.
As verdades se disseram a uma só vez
deu vontade de falar "l o n g e v i d a d e"
e sorriu por pura naturalidade
parecendo que inventara a lucidez.
.
Veio o dia, a semana e a idade
o amor foi infinito e duradouro
fôra enfim achado o mapa do tesouro
arriscou-se sentir "felicidade".
.
E em meio a esse amor superlativo
esqueceu-se de olhar ao seu redor
e notar que só o querer estava vivo.
.
Enamorou-se de sua própria ternura
houve chama mas o vento era maior:
novamente ficou só na noite escura.
.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

reflexões sobre o nada

reflexões sobre o nada



o tempo e o espaço

delimitam o meu viver

o primeiro é tão escasso

que eu me canso de correr

o segundo é um pedaço

do que de fato poderia ser

sou assim, um erro crasso

no embaraço do meu viver

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Cordel de e@orkut

J. Sales & E. Guaraldo
dez-2007 a jan- 2008

Jorge
Sinto falta de você
e também das poesias
daquele papo gostoso
até de suas manias
saudade então nem se fala
eu vou lhe dá uma pala
eu sinto todos os dias

Eliane
Fez surpresa o seu recado
me pegou de calça curta
quebrou o meu coração
que cê sabe, às vezes surta
e na hora de assinar
tira o "Sales" do lugar
e vê se seu nome encurta.

Jorge
Nem vi que neste recado
eu assinei diferente
você logo percebeu
por detrás de sua lente
do bem maior ninguém foge
pra você eu serei Jorge
no futuro e no presente

Eliane
Escrevi esse recado
assim meio serelepe
Pra ganhar o teu sorriso
escancarado no scrap
agora fiquei contente
o Jorge na minha frente
e o Sales fica pro CEP.

Jorge
No meu sorriso você
vai sempre encontrar abrigo
mas você sabe também
que sou mais que um amigo
se o recado é serelepe
e o Sales fica pro CEP
Jorge está sempre contigo.

Eliane
Jorge está sempre comigo
inda mais se tem cordel
coça a mão pra responder
e a mão quer o papel
e o papel... tudo aceita
o seu sorriso me enfeita
e com ele eu vou pro céu.

Jorge
Se o meu sorriso te enfeita
eu fico muito contente
ainda mais quando a vejo
sorrindo na minha frente
o meu amor por você
criou raiz pode crer
um amor jurisprudente.

Eliane
Sorrir no orkut é uma coisa
e outra é sorrir na frente
a lição que está na loisa
na prática é diferente
por isso é qu'eu te admiro
sem me cansar eu te miro:
um Jorge "jurisprudente" .

Jorge
A lição que está na loisa
não é diferente na prática
a teoria é importante
não seja assim pragmática
tenho em mim um parecer
o meu gostar de você
é uma coisa automática

Eliane
A coisa que é automática
bebe em águas da magia
eu sei a tua gramática
é plena de alegoria
por isso é que eu, te lendo,
mil cenários vou vivendo
tão encantada em poesia.

Jorge
Beber em águas da magia
é coisa que fazes bem
tua gramática é plena
de alegoria também
e se tiver de dar nota
minha linda poliglota
a minha na certa é cem

Eliane
Sem exagero, cumpadi!
quem me inventou foi você
se o meu cordel te "invade"
o teu foi que me fez ver
que emoção não se ensina
porque poesia é a menina
dos olhos do bem querer.

Jorge
Minha querida poeta
eu não sou o seu cumpadi
quando penso em você
bela emoção me invade
não a emoçao que se ensina
mas uma com adrenalina
que me traz felicidade.

Eliane
No meio do meu caminho
felicidade é um bem
Sem saber fala sozinho
quem acha que fica sem
no meu caso eu te garanto
a minha até causa espanto
pelo tamanho que tem.

Jorge
Estou esperando o cordel
minha querida poeta
fazer poemas bonitos
sempre foi a tua meta
embora seja contido
fico assim feito um Cupido
que perdeu a sua seta .

Eliane
Perdeste a tua seta?!
não foi assim que pensei
afinal o bom cupido
a guarda à força de lei
Embora seja atrevida
respeito muito tua lida
e dela, Jorge, és um rei...

Jorge
Já que respeitas minha lida
leia o que vou te dizer
e por favor não perguntes
porque não sei responder
mas se eu tiver uma história
se não me falha a memória
meu grande amor foi você.

Eliane
Admiro o meu poeta
e a sua história também
tu és um exímio esteta
poetas como ninguém
no tempo mais-que-perfeito
escrevendo do teu jeito
so-letras o querer bem

Jorge
Eu também te admiro
Minha poeta querida
Sou teu fã até na volta
E pra variar na partida
Quando a poeta aparece
Como se fosse uma prece
A fé em ti consolida

Eliane
Se eu fosse fazer consulta
de signo e astrologia
na matéria sou inculta
mas briga, sei, não teria
se somos gêmeos, de fato
em conferência de quatro
reina completa harmonia.

Jorge
A conferência de quatro
É coisa do nascimento
Nascemos no mês de junho
E não foi planejamento
Por culpa de um bom destino
Minha vida desde menino
Já era de bons momentos

Eliane
O sentimento é sagrado
inda mais se é verdadeiro
é doce como sorvete
ou cantar sob o chuveiro
a minha história te guarda
no tempo não se acovarda
por passar mais um janeiro.

Jorge
Passamos mais um janeiro
e outros ainda virão
cada vez mais eu te gosto
alegras meu coração
disso faço um bom desenho
o sentimento que tenho
vem de outra encarnação

Eliane
Da serenata de agosto
sob um luar perfeito
sempre esse vento no rosto
e esse sol no meu peito
nome que tem? que importa!
só sei que bateu à porta
foi no coração aceito.

Jorge
Se no coração foi aceito
A proposta que te fiz
Tua bela companhia
É tudo que sempre quis
Se me mandares um beijo
Tudo o que agora almejo
É que me dês outro bis

Eliane
Eu tenho uma explicação
da tua seta perdida
não foi mera distração
de um Cupido em sua lida
Na pena ela ficou presa
e num ato de beleza
se transformou em setilha.

Jorge
Aqui termino o cordel
Com os seus caracteres
Mando-te com a minha afeição
Espero que não o alteres
Publique ele ou não
Eu falo de coração
Faça tu o que quiseres.

Lembranças

(Poema de Jorge Sales
para uma amiga de escola)

Lembras quando nós nos conhecemos
Que belos momentos passamos
De festas, luzes, poesias
Romances , amores , fantasias

Lembras as pessoas que vivemos
Eu,Romeu,tu Julieta
Tu, Josefina, eu Napoleão
Trocamos de coração
Abrimos todas as portas
Quebramos as maçanetas
Vou contar se não te importas

Lembras quando estudamos juntos
Progressões, logaritmos. Conjuntos
Na sala ,tu de manhã eu de tarde
A série, não sei se quarta ou terceira
Quando trocamos sem alarde
Bilhetes por debaixo da carteira

Todos os momentos que passamos
Quando nós nos conhecemos
Todas as pessoas que vivemos
Tudo que estudamos juntos
Vou contar pra todo mundo
Não me digas que é trapaça
Ou mentiras deslavadas

Tu não te lembras de nada

Jorge Sales

Companhia da Poesia

Eliane Guaraldo
08-I-08

A poesia o céu alcança
alça (seu) vôo infinito
e tudo fica bonito
-admirar ninguém cansa-
mas se puder a esperança
pedir algo nessa hora ...
que cale aquele que chora
em sua palavra que amansa
a vida é sempre criança
é pra voltar que se vai embora.


Se a prosa chama à vida
e nos ancora ao chão,
à terra onde os pés estão,
a poesia é atrevida!
Caprichosa, a sua lida
quando vem e se demora
é brincar de ser senhora
dum tempo que não se alcança.
A vida é sempre criança:
É pra voltar que se vai embora.


A poesia é mesmo isso:
uma estrada generosa
quando o atalho é da prosa
respeitoso compromisso
vem repleta de feitiço
é estrela aqui e agora
mas pra partir não tem hora,
se nos toma em confiança.
A vida é sempre criança:
É pra voltar que se vai embora.


Tenho comigo uma crença
no fundo do peito uma voz
por mais que nos seja atroz
ou que pareça que vença
cada cabeça, u'a sentença
Solidão é coisa antiga
com poesia não se liga
Sem quem dê corda ela dança
A vida é sempre criança!
É pra voltar que se vai embora.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Aprendizado da Voz

Eliane Guaraldo
08-I-08

Quero lhe acompanhar
as palavras em sussurro
aprender dos gestos
contrações de músculos

Pronunciar
Quero a fala mágica
natureza cristalina,
galgar a garganta
alcançar atmosferas

Em segredo

Quero enfim vê-las dançar
desenhando sobre o corpo
e repetir-lhe os passos
inevitável prazer.


Voz.

Aprendizado da Voz


Eliane Guaraldo

08-I-08


Quero lhe acompanhar

as palavras em sussurro

aprender dos gestos

contrações de músculos


Quero a fala mágica

natureza cristalina,

galgar a garganta

e alçar atmosferas


Quero enfim vê-las dançar

desenhando sobre o corpo

repetir-lhe os passos

inevitável prazer.



Inspirado em Sempre so Fim, de Damião Cavalcanti (se eu pudesse sugerir uma canção, que fosse I'll write a song for you", de Earth Wind & Fire)