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sábado, 25 de junho de 2011

AIMER /AMAR ( Carlos Drummond de Andrade)

AIMER
Que peut une créature sinon,
entre créatures, aimer ?
aimer et oublier,
aimer et malaimer,
aimer, désaimer, aimer ?
aimer, et le regard fixe même, aimer ?
Que peut, demandé-je, l'être amoureux,
tout seul, en rotation universelle, sinon
tourner aussi, et aimer ?
aimer ce que la mer apporte à la plage,
ce qu'elle ensevelit, et ce qui, dans la brise marine,
est sel, ou besoin d'amour, ou simple tourment ?
Aimer solennellement les palmiers du désert,
ce qui est abandon ou attente adoratrice,
et aimer l'inhospitalier, l'âpre,
un vase sans fleur, un parterre de fer,
et la poitrine inerte, et la rue vue en rêve, et un oiseau de proie.
Tel est notre destin : amour sans compter,
distribué parmi les choses perfides ou nulles,
donation illimitée à une complète ingratitude,
et dans la conque vide de l'amour la quête apeurée,
patiente, de plus en plus d'amour.
Aimer notre manque même d'amour, et dans notre sécheresse
aimer l'eau implicite, et le baiser tacite, et la soif infinie.


foto: praia de Bombinhas, SC, autora
AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.





quarta-feira, 15 de junho de 2011

As Idades do Amor


As Idades do Amor
 
Eliane Guaraldo 
CG, 14-6-11 
.
 É frágil o meio-amor 
constrói-se por grandes sentimentos 
e desejos anunciados 
mas quebra-se ao menor vento 
meras palavras se não cultivado. 
.
 O amor verdadeiro 
                           se provada a sua verdade
carece de ser simplesmente vivido
 em toda sua realidade
 
.
 Merece saltar da tela, 
Saltar dos sonhos 
da imaginação 
Galopar na emoção 
E, em cheio nos atingir, 
nos envolver, nos conduzir... 
.
 Se na infância, ele, ainda, 
só aspira à juventude
.
 Mas o amor emancipado 
quer-se em plenitude. 
.
 Se estás pronto para amar  
ele vai lhe buscar 
em qualquer lugar do mundo 
sem dúvidas, sem reticências, 
sem contemplação, 
sem nenhuma ilusão. 
.
 Só um querer 
simples e profundo. 

Eu e a Poesia, Odir Milanez da Cunha


Seguindo os passos da poeta
Eliane Guaraldo
 
 
EU E A POESIA
Odir, de passagem
 
Eu só sei ser o que sou,
toda noite, todo o dia:
aquele que se encantou
com a poesia.
 
Eu não sei se o que passou
refreá-lo poderia.
Eu só sei ser o que sou:
um pretendente à poesia.
 
Eu sei que muito mudou
no mundo da fantasia.
Mas jamais mudo quem sou:
Um ser que sonha poesia...
 
JPessoa,
13.06.2011
oklima

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Viloões em Serenata II

( homenagem à poesia homônima de Odir Milanez da Cunha)

Os violões que se calam pelos dias
e canções as quais se deixam de ouvir
os lampejos de alegria que sorrias
e que hoje ainda podem se sentir

O teu tempo que se ausenta e leva datas
sempre traz em seu lugar boas memórias
mais reais que a realidade que retrata
e compõem um pouco mais da tua história.

Tens violões, tens os cantos, serenatas
a provar tua passagem pela vida
que passaste ao lado de amizades gratas.

Os teus sonhos os evoca a doce lida
de homenagem aos amigos que bem tratas
pois os perdes, mas os ganhas de saída.


À memória de Romualdo "Alcatrão", companheiro de serestas



VIOLÕES EM SERENATA
Odir, de passagem

O tempo se ausentou, levando a data
da minha juventude, quando amava
andar de bar em bar, pisando a prata
que a lua branca pelo chão lançava.

Dos violões a doce musicata
assumia os meus sonhos... e eu cantava!
Oh, saudosa visão! Oh, serenata!
Oh, cantos que cantei quando chorava!

É noite, agora. A lua continua
cedendo as mesmas cores aos passantes
à procura dos bares, pela rua.

Vazios violões! Sons dissonantes!
Serenatas não mais à luz da lua,
o sereno esqueceu de seus amantes!

JPessoa, 16.05.2011



Odir,



de passagem.

terça-feira, 7 de junho de 2011


O ENCONTRO
 Dos mistérios deste mundo nada sei
 das viagens nas galáxias tão distantes 
dos seus ciclos , das estrelas eu errei 
todos cálculos trajetórias e sextantes. 
...
 Eu por certo, nestas rotas, pura errância 
um destino incerto e louco programei 
desejando um qualquer porto ou circunstância 
quem não tem onde chegar o nada é lei 
...
 Mas os ventos me trazendo sua voz 
me chamaram para, em meio à tempestade,
 sussurrarem à minha solidão atroz
...
 que os sonhos são nascentes da verdade
 e o encontro dos sonhares, sua foz
 assim plenos de fugaz eternidade. 
...
 E enquanto não me chegas, eu a sós 
com meus sonhos vou matando tuas saudades!
.
  Eliane Guaraldo, Campo Grande, 5-vi-11