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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kunstwollen

No recôndito espaço
das temporárias vestes
que já é pequeno para músculos, veias,
habita certo coração.

É pequeno demais
para comportar
mais do que as próprias células
ocupadas com sua vegetatividade,
- que dirá algum afeto?

Suas buscas são de imagens
visões, transformações
infinitos afora
enquanto sem resolução
permanece este pra quê? da vida

Devia o querer ir além de apenas respirar
- algo de dar cor e beleza ao cotidiano
uma vontade de arte incessante
que resiste e pulsa
contra todas as expectativas

2 comentários:

Ricardo Mainieri disse...

Eliane:

Mesmos, nós poetas, passamos por períodos onde a luta do cotidiano é imperativa.
Como, então, dar plena atenção aos sentimentos, às paisagens fugidias, se nosso coração está voltado a sua função vegetativa?
Mas, temos a poesia, ferramenta que abre nossas comportas internas e jorra toda a ilusão e beleza que trazemos.

Beijão.

Ricardo Mainieri

Eliane Guaraldo disse...

Não fosse a poesia, e estaríamos sem função.... desde que até para vegetar existem rimas.... o pulsar do coração é uma , maravilhosa....

Obrigada, poeta sempre!

Eliane