Espaço de Poesia,Arte e comunicação. A participação e a interação de leitores e colaboradores, enriquecendo temas e conteúdos, instigando reflexão, é desejável e estimulada. Eliane Guaraldo
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
INCONSTÂNCIA
Eliane Guaraldo
Edimo Ginot
O vento quebrará os galhos
E a bruma virá em vestes brancas
Cobrir os telhados em pleno verão.
E tudo aquilo que pensavas saber
Verás resistir em tua mente
Mas em pó ruir-se à tua frente
O mundo íntegro dos antes-passados
Hoje é coleção de fragmentos
Nas janelas estilhaçadas e desnudas,
Sem mais função.
Não restará em pé
Sequer uma convicção:
Alguma estação (constância?)
Neste mundo inconstante.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
As Árvores do Meu Lugar
Tabebuia ochracea, ipê do cerrado
As árvores do meu lugar adormecem
como antigos sentimentos
Em fustes eternos
de sol fustigados
que o vento corteja
Em seivas ocultas
de intenso vigor
que a um toque macio
jorram de vidas
Em pés que vão longe
umidades profundas
se firmam raízes.
Ao halo da chuva
viril, fecundante
A rebrotação
Em cores vibrantes
mil flores se entregam
marcando a estação..
Des racines,
Qui courent dans le sol,
Et des branches
Hautes dans le ciel,
L'eau, la terre et l'air
La fraîcheur, la lumière
La chaleur du soleil.
Le vent chaud du Brésil
Qui berce leurs feuilles
Et caresse les troncs
De ces fût éternels
( Philippe Mafiolli)
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
POETA E POESIA
Poeta e Poesia
14-XI-11
.
Fiz do peito minha mão ser a escrava
E escrevi p'ra meu amor enternecer
não soubera, entretanto, tanto ser
quanto aquilo que criei e me fitava.
.
Por me ver só e assim desencantado,
reconhecendo o valor da minha lavra
de escriba fez-me artista da palavra.
O meu verso - que criei- me há criado.
.
Inventei-o p'ra falar de meu amor
E com esta aura então se emancipou
E meus sonhos foi viver do outro lado
.
Inventou-me seu poeta e criador
mas, liberto, ele ao mundo se lançou
e eu poeta hoje passeio no passado.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
O Passeio do Anjo
Passeio do anjo
Além de incensos e flores
um anjo que passeava
pelos sonhos costumava
espiar frestas e amores
Fazia versos da prosa
tecendo em sua trama
primoroso diagrama
de usinagem valiosa
pendurado à clarabóia
dos sonhos, ele jogava
esses versos, como chuva
peças de bordado ou jóia
que a nudez do amor trajava
vestindo feito uma luva.
Além de incensos e flores
um anjo que passeava
pelos sonhos costumava
espiar frestas e amores
Fazia versos da prosa
tecendo em sua trama
primoroso diagrama
de usinagem valiosa
pendurado à clarabóia
dos sonhos, ele jogava
esses versos, como chuva
peças de bordado ou jóia
que a nudez do amor trajava
vestindo feito uma luva.
sábado, 9 de julho de 2011
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Consciência
17-7-05
Carrego o peso da minha consciência
Sempre tão pronta a carregar o mundo
Dos meus enganos peço paciência
Até que eu saia desse poço fundo
Vivo do escuro, medo e desatino
na ânsia de enxergar pelo olho alheio
e nele vislumbrar algum sentido
da lógica por detrás do devaneio.
Resta muda, no âmago, a essência
clamando consciência, a razão pulsante
esmagada pela douta e vil ciência,
ou pela mediocridade triunfante.
Vença esta insanidade que persiste!
Pois é na inconsciência crescente
que o mundo segue a sua marcha triste:
ignaro, sem sentido consistente
domingo, 3 de julho de 2011
Abra os olhos - aí está
não há o quarto escuro
As palavras não vieram pelas frestas
só há o que voce enxerga.
não está escuro
nem mesmo há contenção.
Realidade é invenção.
e é só isso mesmo que existe.
Inventemos ser simplesmente.
De repente
Entre mente
a coisa criada
persiste.[/size]
[/color][/b]
Mots Entrelacés
[size=20]
Mots Enlacés/Palavras enlaçadas
Hoje eu sonhei contigo
Ce rêve est aussi le mien
foi um sonho acordada
Tandis que je te prends la main
sonhei que tu me abraçavas
Pour te serrer contre moi
com sentimento tamanho,
Je perçois ton émoi
que teus braços eram longos,
Quand dans mes mains pas sages
e no afã de me enlaçar,
Commence le doux voyage
te misturavas em mim,
Alors que s'unissent nos deux souffles chauds
e comigo eras um só.
Dans un regard, sans dire un mot.
Mais do que um sonho sonhado,
era tão forte e real,
que era um sonho acordado...
(Phillipe Maffiolli, Paris - Campo Grande, Eliane Guaraldo
23-3-11
Hoje eu sonhei contigo
Ce rêve est aussi le mien
foi um sonho acordada
Tandis que je te prends la main
sonhei que tu me abraçavas
Pour te serrer contre moi
com sentimento tamanho,
Je perçois ton émoi
que teus braços eram longos,
Quand dans mes mains pas sages
e no afã de me enlaçar,
Commence le doux voyage
te misturavas em mim,
Alors que s'unissent nos deux souffles chauds
e comigo eras um só.
Dans un regard, sans dire un mot.
Mais do que um sonho sonhado,
era tão forte e real,
que era um sonho acordado...
(Phillipe Maffiolli, Paris - Campo Grande, Eliane Guaraldo
23-3-11
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mar 2011,
Mots Entrelacés,
Phillipe Maffioli,
Poesia Livre
Attente II
[size=22][color=darkblue]
Attente
Phillipe Maffiolli
Eliane Guaraldo
14-fev-11
L'air du large fait frémir tes cheveux
Le soleil pourpre embrase le ciel d'azur
Sur l'horizon, là bas se portent tes yeux
Tu attends
Derrière ta mèche folle
Tu regardes frémissante
Le ciel où les étoiles naissantes,
S'accrochent peu à peu
Tu attends.
Tes mèches souples et ondulantes
S'agitent au vent qui les fait vivre
Tu es la femme, tu es l'amante
Qui attends le jour,
Qui t'apportera enfin ce présent
Qui te ramènera ton amant
Mais tu es là sur ce banc et t'attends.
Les ombres s'étirent
Et rejoignent la nuit
Tu es là et tu attends
Les cheveux agités par le vent
Toute cette nuit durant
Tu attends
Enfin le jour et ses première lueures
Mais pour ton plus grand malheur
Toujours tu attends,
L'esprit ailleurs
Vers un monde meilleurs
Qui te conduira, ce soir sur ton banc
Ausoleil couchant[/color][/size]
Attente
Phillipe Maffiolli
Eliane Guaraldo
14-fev-11
L'air du large fait frémir tes cheveux
Le soleil pourpre embrase le ciel d'azur
Sur l'horizon, là bas se portent tes yeux
Tu attends
Derrière ta mèche folle
Tu regardes frémissante
Le ciel où les étoiles naissantes,
S'accrochent peu à peu
Tu attends.
Tes mèches souples et ondulantes
S'agitent au vent qui les fait vivre
Tu es la femme, tu es l'amante
Qui attends le jour,
Qui t'apportera enfin ce présent
Qui te ramènera ton amant
Mais tu es là sur ce banc et t'attends.
Les ombres s'étirent
Et rejoignent la nuit
Tu es là et tu attends
Les cheveux agités par le vent
Toute cette nuit durant
Tu attends
Enfin le jour et ses première lueures
Mais pour ton plus grand malheur
Toujours tu attends,
L'esprit ailleurs
Vers un monde meilleurs
Qui te conduira, ce soir sur ton banc
Ausoleil couchant[/color][/size]
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l'Attente II,
Phillipe Maffioli,
Poesia Livre
A Dança do Sexo
abril 2011
Sonhar... e sonhar, o quanto se pode
sonhar com amor e amar este sonho
O mundo que acabe, se o resto bisonho
do mundo não cabe no amor que explode.
Amar... e amar o quanto se alcance
da alma o sentido, do corpo o limite
a entrega se viva, deseje e incite
a dança do sexo se cante, se dance
confunda-se ao dia, à noite serena
inflame o que possa, do mundo ao redor
refaça, maior, toda alma pequena
floresça em prazer, e seu mágico olor,
recrie-se nova, real e mais plena -
e conte de novo, uma história de amor. [/color] [/size]
Violões em Serenata
- VIOLÕES EM SERENATA
- Os violões que se calam pelos dias
- e canções as quais se deixam de ouvir
- os lampejos de alegria que sorrias
- e que hoje ainda podem se sentir
- .
- O teu tempo que se ausenta e leva datas
- sempre traz em seu lugar boas memórias
- mais reais que a realidade que retrata
- e compõem um pouco mais da tua história.
- .
- Tens violões, tens os cantos, serenatas
- a provar tua passagem pela vida
- que passaste ao lado de amizades gratas.
- .
- Os teus sonhos os evoca a doce lida
- de homenagem aos amigos que bem tratas
- pois os perdes, mas os ganhas n'outra vida.
Sonhares
- Dos mistérios deste mundo eu nada sei
- das viagens nas galáxias tão distantes
- dos seus ciclos , das estrelas eu errei
- todos calculos trajetórias e sextantes.
- .
- Eu por certo, nestas rotas, pura errância
- um destino incerto e louco programei
- desejando um qualquer porto ou circunstancia
- quem não tem onde chegar o nada é lei.
- .
- Mas os ventos me trazendo sua voz
- me chamaram para, em meio à tempestade
- sussurrarem à minha solidão atroz
- .
- que os sonhos são nascentes da verdade
- e o encontro dos sonhares, sua foz
- assim plenos de fugaz eternidade.
- .
- E enquanto não me chegas, eu a sós,
- com meus sonhos vou matando tuas saudades!
Para um Soneto de Amor
sábado, 25 de junho de 2011
AIMER /AMAR ( Carlos Drummond de Andrade)
AIMER
Que peut une créature sinon,
entre créatures, aimer ?
aimer et oublier,
aimer et malaimer,
aimer, désaimer, aimer ?
aimer, et le regard fixe même, aimer ?
Que peut, demandé-je, l'être amoureux,
tout seul, en rotation universelle, sinon
tourner aussi, et aimer ?
aimer ce que la mer apporte à la plage,
ce qu'elle ensevelit, et ce qui, dans la brise marine,
est sel, ou besoin d'amour, ou simple tourment ?
Aimer solennellement les palmiers du désert,
ce qui est abandon ou attente adoratrice,
et aimer l'inhospitalier, l'âpre,
un vase sans fleur, un parterre de fer,
et la poitrine inerte, et la rue vue en rêve, et un oiseau de proie.
Tel est notre destin : amour sans compter,
distribué parmi les choses perfides ou nulles,
donation illimitée à une complète ingratitude,
et dans la conque vide de l'amour la quête apeurée,
patiente, de plus en plus d'amour.
Aimer notre manque même d'amour, et dans notre sécheresse
aimer l'eau implicite, et le baiser tacite, et la soif infinie.
foto: praia de Bombinhas, SC, autora
AMAR
AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
As Idades do Amor
Eu e a Poesia, Odir Milanez da Cunha
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Eu e a Poesia,
para Odir Milanez da Cunha,
soneto
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Viloões em Serenata II
( homenagem à poesia homônima de Odir Milanez da Cunha)
Os violões que se calam pelos dias
e canções as quais se deixam de ouvir
os lampejos de alegria que sorrias
e que hoje ainda podem se sentir
O teu tempo que se ausenta e leva datas
sempre traz em seu lugar boas memórias
mais reais que a realidade que retrata
e compõem um pouco mais da tua história.
Tens violões, tens os cantos, serenatas
a provar tua passagem pela vida
que passaste ao lado de amizades gratas.
Os teus sonhos os evoca a doce lida
de homenagem aos amigos que bem tratas
pois os perdes, mas os ganhas de saída.
À memória de Romualdo "Alcatrão", companheiro de serestas
VIOLÕES EM SERENATA
Odir, de passagem
O tempo se ausentou, levando a data
da minha juventude, quando amava
andar de bar em bar, pisando a prata
que a lua branca pelo chão lançava.
Dos violões a doce musicata
assumia os meus sonhos... e eu cantava!
Oh, saudosa visão! Oh, serenata!
Oh, cantos que cantei quando chorava!
É noite, agora. A lua continua
cedendo as mesmas cores aos passantes
à procura dos bares, pela rua.
Vazios violões! Sons dissonantes!
Serenatas não mais à luz da lua,
o sereno esqueceu de seus amantes!
JPessoa, 16.05.2011
Odir,
de passagem.
Os violões que se calam pelos dias
e canções as quais se deixam de ouvir
os lampejos de alegria que sorrias
e que hoje ainda podem se sentir
O teu tempo que se ausenta e leva datas
sempre traz em seu lugar boas memórias
mais reais que a realidade que retrata
e compõem um pouco mais da tua história.
Tens violões, tens os cantos, serenatas
a provar tua passagem pela vida
que passaste ao lado de amizades gratas.
Os teus sonhos os evoca a doce lida
de homenagem aos amigos que bem tratas
pois os perdes, mas os ganhas de saída.
À memória de Romualdo "Alcatrão", companheiro de serestas
VIOLÕES EM SERENATA
Odir, de passagem
O tempo se ausentou, levando a data
da minha juventude, quando amava
andar de bar em bar, pisando a prata
que a lua branca pelo chão lançava.
Dos violões a doce musicata
assumia os meus sonhos... e eu cantava!
Oh, saudosa visão! Oh, serenata!
Oh, cantos que cantei quando chorava!
É noite, agora. A lua continua
cedendo as mesmas cores aos passantes
à procura dos bares, pela rua.
Vazios violões! Sons dissonantes!
Serenatas não mais à luz da lua,
o sereno esqueceu de seus amantes!
JPessoa, 16.05.2011
Odir,
de passagem.
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Odir Milanez da Cunha,
soneto,
Violoes em Serenata
terça-feira, 7 de junho de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Imbrications Nocturnes
Visagens
(gentil versão para o francês de Philippe Mafiolli: "Imbrications nocturnes"
(gentil versão para o francês de Philippe Mafiolli: "Imbrications nocturnes"
Eliane Guaraldo
Pareces como a lua:
Em noites albas
Surpreendes quietudes
Em noites albas
Surpreendes quietudes
Mas alturas que galgas
São só visagens
Nas paisagens
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.
Tu es comme la lune
Qui éclaire la nuit,Le soir, haute perchée
Disque blanc dans le ciel allumé
Rond visage
Reflets sur les eaux sages
Miroir sur marécage
Qui flotte, par habitude
… Douceur et plénitude.
Marcadores:
Imbrications nocturnes,
Phillipe Maffiolli,
Poesia Livre
quarta-feira, 23 de março de 2011
Hoje eu sonhei contigo
Ce rêve est aussi le mien
foi um sonho acordada
Tandis que je te prends la main
sonhei que tu me abraçavas
Pour te serrer contre moi
com sentimento tamanho,
Je perçois ton émoi
que teus braços eram longos,
Quand dans mes mains pas sages
e no afã de me enlaçar,
Commence le doux voyage
te misturavas em mim,
te misturavas em mim,
Alors que s'unissent nos deux souffles chauds
e comigo eras um só.
Dans un regard, sans dire un mot.
Mais do que um sonho sonhado,
era tão forte e real,
que era um sonho acordado...
(Paris - Campo Grande, 23-3-11)
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