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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

POETA E POESIA


Poeta e Poesia 
14-XI-11 
.
Fiz do peito minha mão ser a escrava 
E escrevi p'ra meu amor enternecer 
não soubera, entretanto, tanto ser 
quanto aquilo que criei e me fitava. 
.
Por me ver só e assim desencantado, 
reconhecendo o valor da minha lavra 
de escriba fez-me artista da palavra. 
O meu verso - que criei- me há criado. 
.
Inventei-o p'ra falar de meu amor 
E com esta aura então se emancipou 
E meus sonhos foi viver do outro lado 
.
Inventou-me seu poeta e criador 
mas, liberto, ele ao mundo se lançou 
e eu poeta hoje passeio no passado.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Passeio do Anjo

Passeio do anjo

Além de incensos e flores
um anjo que passeava
pelos sonhos costumava
espiar frestas e amores

Fazia versos da prosa
tecendo em sua trama
primoroso diagrama
de usinagem valiosa

pendurado à clarabóia
dos sonhos, ele jogava
esses versos, como chuva

peças de bordado ou jóia
que a nudez do amor trajava
vestindo feito uma luva.

sábado, 9 de julho de 2011

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Consciência


17-7-05



Carrego o peso da minha consciência

Sempre tão pronta a carregar o mundo

Dos meus enganos peço paciência

Até que eu saia desse poço fundo



Vivo do escuro, medo e desatino

na ânsia de enxergar pelo olho alheio

e nele vislumbrar algum sentido

da lógica por detrás do devaneio.



Resta muda, no âmago, a essência

clamando consciência, a razão pulsante

esmagada pela douta e vil ciência,

ou pela mediocridade triunfante.



Vença esta insanidade que persiste!

Pois é na inconsciência crescente

que o mundo segue a sua marcha triste:

ignaro, sem sentido consistente



domingo, 3 de julho de 2011

[size=20][color=darkred][b][i]Esse est percipi[/i] 16-ix-10


Abra os olhos - aí está
não há o quarto escuro

As palavras não vieram pelas frestas
só há o que voce enxerga.

não está escuro
nem mesmo há contenção.

Realidade é invenção.
e é só isso mesmo que existe.

Inventemos ser simplesmente.

De repente
Entre mente
a coisa criada
persiste.[/size]
[/color][/b]

Mots Entrelacés

[size=20]

Mots Enlacés/Palavras enlaçadas

Hoje eu sonhei contigo
Ce rêve est aussi le mien
foi um sonho acordada
Tandis que je te prends la main
sonhei que tu me abraçavas
Pour te serrer contre moi
com sentimento tamanho,
Je perçois ton émoi
que teus braços eram longos,
Quand dans mes mains pas sages
 e no afã de me enlaçar,
Commence le doux voyage
te misturavas em mim,
Alors que s'unissent nos deux souffles chauds
 e comigo eras um só.
Dans un regard, sans dire un mot.

Mais do que um sonho sonhado,
era tão forte e real,
que era um sonho acordado...


(Phillipe Maffiolli, Paris - Campo Grande, Eliane Guaraldo
23-3-11

Attente II

[size=22][color=darkblue]



Attente
Phillipe Maffiolli
Eliane Guaraldo
14-fev-11

L'air du large fait frémir tes cheveux
Le soleil pourpre embrase le ciel d'azur
Sur l'horizon, là bas se portent tes yeux
Tu attends

Derrière ta mèche folle
Tu regardes frémissante
Le ciel où les étoiles naissantes,
S'accrochent peu à peu
Tu attends.

Tes mèches souples et ondulantes
S'agitent au vent qui les fait vivre
Tu es la femme, tu es l'amante
Qui attends le jour,
Qui t'apportera enfin ce présent
Qui te ramènera ton amant
Mais tu es là sur ce banc et t'attends.

Les ombres s'étirent
Et rejoignent la nuit
Tu es là et tu attends
Les cheveux agités par le vent
Toute cette nuit durant
Tu attends

Enfin le jour et ses première lueures
Mais pour ton plus grand malheur
Toujours tu attends,
L'esprit ailleurs
Vers un monde meilleurs
Qui te conduira, ce soir sur ton banc
Ausoleil couchant[/color][/size]

A Dança do Sexo

[color=red] [size=22]A Dança do Sexo
abril 2011


Sonhar... e sonhar, o quanto se pode
sonhar com amor e amar este sonho
O mundo que acabe, se o resto bisonho
do mundo não cabe no amor que explode.

Amar... e amar o quanto se alcance
da alma o sentido, do corpo o limite
a entrega se viva, deseje e incite
a dança do sexo se cante, se dance

confunda-se ao dia, à noite serena
inflame o que possa, do mundo ao redor
refaça, maior, toda alma pequena

floresça em prazer, e seu mágico olor,
recrie-se nova, real e mais plena -
e conte de novo, uma história de amor. [/color] [/size]

Violões em Serenata


VIOLÕES EM SERENATA 

Os violões que se calam pelos dias
e canções as quais se deixam de ouvir
os lampejos de alegria que sorrias
e que hoje ainda podem se sentir
.
O teu tempo que se ausenta e leva datas
sempre traz em seu lugar boas memórias
mais reais que a realidade que retrata
e compõem um pouco mais da tua história.
.
Tens violões, tens os cantos, serenatas
a provar tua passagem pela vida
que passaste ao lado de amizades gratas.
.
Os teus sonhos os evoca a doce lida
de homenagem aos amigos que bem tratas
pois os perdes, mas os ganhas n'outra vida.

Sonhares


Dos mistérios deste mundo eu nada sei
das viagens nas galáxias tão distantes
dos seus ciclos , das estrelas eu errei
todos calculos trajetórias e sextantes.
.
Eu por certo, nestas rotas, pura errância
um destino incerto e louco programei
desejando um qualquer porto ou circunstancia
quem não tem onde chegar o nada é lei.
.
Mas os ventos me trazendo sua voz
me chamaram para, em meio à tempestade
sussurrarem à minha solidão atroz 
.
que os sonhos são nascentes da verdade
e o encontro dos sonhares, sua foz
assim plenos de fugaz eternidade. 
.
E enquanto não me chegas, eu a sós,
com meus sonhos vou matando tuas saudades!

Para um Soneto de Amor


Para um Soneto de Amor 
como resposta ao soneto de Odir, celebrando meu aniversário 
.
Se eu fiz aniversário fui passado
  Se passado fui, o fiz por puro engano
  Fictício é o viver ano após ano
  Já que o tempo não tem tempo, está errado!
 
O momento é o meu maior intento
  não coleções de eventos numa história;
  Ela é bela, mas não é minha, é da memória
  De Akasha; o que é meu é só o vento.
.
  Dou-te o vento, pois, poeta tão prezado
  Tu, com ele, tens sonetos, poesia
  E eu com isso sou feliz mais este dia.
.
  Dou-te o vento, ó poeta inspirado
  Tu me dás a sua voz sobremaneira
  E eu com ela sou feliz a vida inteira. 
.

sábado, 25 de junho de 2011

AIMER /AMAR ( Carlos Drummond de Andrade)

AIMER
Que peut une créature sinon,
entre créatures, aimer ?
aimer et oublier,
aimer et malaimer,
aimer, désaimer, aimer ?
aimer, et le regard fixe même, aimer ?
Que peut, demandé-je, l'être amoureux,
tout seul, en rotation universelle, sinon
tourner aussi, et aimer ?
aimer ce que la mer apporte à la plage,
ce qu'elle ensevelit, et ce qui, dans la brise marine,
est sel, ou besoin d'amour, ou simple tourment ?
Aimer solennellement les palmiers du désert,
ce qui est abandon ou attente adoratrice,
et aimer l'inhospitalier, l'âpre,
un vase sans fleur, un parterre de fer,
et la poitrine inerte, et la rue vue en rêve, et un oiseau de proie.
Tel est notre destin : amour sans compter,
distribué parmi les choses perfides ou nulles,
donation illimitée à une complète ingratitude,
et dans la conque vide de l'amour la quête apeurée,
patiente, de plus en plus d'amour.
Aimer notre manque même d'amour, et dans notre sécheresse
aimer l'eau implicite, et le baiser tacite, et la soif infinie.


foto: praia de Bombinhas, SC, autora
AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.





quarta-feira, 15 de junho de 2011

As Idades do Amor


As Idades do Amor
 
Eliane Guaraldo 
CG, 14-6-11 
.
 É frágil o meio-amor 
constrói-se por grandes sentimentos 
e desejos anunciados 
mas quebra-se ao menor vento 
meras palavras se não cultivado. 
.
 O amor verdadeiro 
                           se provada a sua verdade
carece de ser simplesmente vivido
 em toda sua realidade
 
.
 Merece saltar da tela, 
Saltar dos sonhos 
da imaginação 
Galopar na emoção 
E, em cheio nos atingir, 
nos envolver, nos conduzir... 
.
 Se na infância, ele, ainda, 
só aspira à juventude
.
 Mas o amor emancipado 
quer-se em plenitude. 
.
 Se estás pronto para amar  
ele vai lhe buscar 
em qualquer lugar do mundo 
sem dúvidas, sem reticências, 
sem contemplação, 
sem nenhuma ilusão. 
.
 Só um querer 
simples e profundo. 

Eu e a Poesia, Odir Milanez da Cunha


Seguindo os passos da poeta
Eliane Guaraldo
 
 
EU E A POESIA
Odir, de passagem
 
Eu só sei ser o que sou,
toda noite, todo o dia:
aquele que se encantou
com a poesia.
 
Eu não sei se o que passou
refreá-lo poderia.
Eu só sei ser o que sou:
um pretendente à poesia.
 
Eu sei que muito mudou
no mundo da fantasia.
Mas jamais mudo quem sou:
Um ser que sonha poesia...
 
JPessoa,
13.06.2011
oklima

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Viloões em Serenata II

( homenagem à poesia homônima de Odir Milanez da Cunha)

Os violões que se calam pelos dias
e canções as quais se deixam de ouvir
os lampejos de alegria que sorrias
e que hoje ainda podem se sentir

O teu tempo que se ausenta e leva datas
sempre traz em seu lugar boas memórias
mais reais que a realidade que retrata
e compõem um pouco mais da tua história.

Tens violões, tens os cantos, serenatas
a provar tua passagem pela vida
que passaste ao lado de amizades gratas.

Os teus sonhos os evoca a doce lida
de homenagem aos amigos que bem tratas
pois os perdes, mas os ganhas de saída.


À memória de Romualdo "Alcatrão", companheiro de serestas



VIOLÕES EM SERENATA
Odir, de passagem

O tempo se ausentou, levando a data
da minha juventude, quando amava
andar de bar em bar, pisando a prata
que a lua branca pelo chão lançava.

Dos violões a doce musicata
assumia os meus sonhos... e eu cantava!
Oh, saudosa visão! Oh, serenata!
Oh, cantos que cantei quando chorava!

É noite, agora. A lua continua
cedendo as mesmas cores aos passantes
à procura dos bares, pela rua.

Vazios violões! Sons dissonantes!
Serenatas não mais à luz da lua,
o sereno esqueceu de seus amantes!

JPessoa, 16.05.2011



Odir,



de passagem.

terça-feira, 7 de junho de 2011


O ENCONTRO
 Dos mistérios deste mundo nada sei
 das viagens nas galáxias tão distantes 
dos seus ciclos , das estrelas eu errei 
todos cálculos trajetórias e sextantes. 
...
 Eu por certo, nestas rotas, pura errância 
um destino incerto e louco programei 
desejando um qualquer porto ou circunstância 
quem não tem onde chegar o nada é lei 
...
 Mas os ventos me trazendo sua voz 
me chamaram para, em meio à tempestade,
 sussurrarem à minha solidão atroz
...
 que os sonhos são nascentes da verdade
 e o encontro dos sonhares, sua foz
 assim plenos de fugaz eternidade. 
...
 E enquanto não me chegas, eu a sós 
com meus sonhos vou matando tuas saudades!
.
  Eliane Guaraldo, Campo Grande, 5-vi-11

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Imbrications Nocturnes

Visagens
(gentil versão para o francês de Philippe Mafiolli: "Imbrications nocturnes" 

Eliane Guaraldo


 Pareces como a lua:
Em noites alb
as 
Surpreendes quietudes 

Mas alturas que galgas
São só visagens 

Nas paisagens
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.

Tu es comme la lune
Qui éclaire la nuit,
Le soir, haute perchée
Disque blanc dans le ciel allumé
Rond visage
Reflets sur les eaux sages
Miroir sur marécage
Qui flotte, par habitude
… Douceur et plénitude.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mots Enlacés
(avec Phillipe Maffiolli)
Hoje eu sonhei contigo 
Ce rêve est aussi le mien 
foi um sonho acordada 
Tandis que je te prends la main 
sonhei que tu me abraçavas
Pour te serrer contre moi 
com sentimento tamanho,
Je perçois ton émoi
 que teus braços eram longos,
Quand dans mes mains pas sages
 e no afã de me enlaçar,
Commence le doux voyage 
te misturavas em mim,
Alors que s'unissent nos deux souffles chauds
 e comigo eras um só. 
Dans un regard, sans dire un mot.

Mais do que um sonho sonhado,
 era tão forte e real, 
que era um sonho acordado...


(Paris - Campo Grande, 23-3-11)

segunda-feira, 21 de março de 2011


SONHO ACORDADO 
Eliane Guaraldo
Hoje eu sonhei contigo 
foi um sonho acordada 
sonhei que tu me abraçavas
 com sentimento tamanho,
 que teus braços eram longos,
 e no afã de me enlaçar,
 te misturavas em mim,
 e comigo eras um só. 
.
 Mais do que um sonho sonhado,
 era tão forte e real,
 que era um sonho acordado... 
.
.
Campo Grande, MS, 21-3-11

segunda-feira, 7 de março de 2011

" Voici venir le temps
ou vibrant sur sa tige
chaque fleur s'èvapore
ainsi qu un encenseoir
les sons et les parfums
tournent dal l'air du soir
valse melanconique
et langoureux vertige"

Debussy Cinq poèmes de Charles Baudelaire.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

foto: Jorge Caeiro, paisagem à beira do Lago Azul, Ilha de Açores

Segundo Mundo
14-ii-11
Lá onde está o meu segundo mundo
adormeci ontem envolta em brisas
deste sol de mar com que me avisas
de tua chegada é que eu me inundo!

Banhei-me de sonhos nunca sonhados
pedras, montes, ninhos e tantas cores!
beira d'água, lagoas dos Açores
não só! Sol! Nós juntos e acordados!

Que fazer se tu me pegas de surpresa
num momento de completa singeleza
sentimento há muito tempo aguardado?

A noite sendo o dia, e tanto o brilho
que fiz deste momento o estribilho
das canções que hoje cantas ao meu lado.