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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Monda (em balanço)


Monda (em balanço)

De teimosa eu volto ás contas
e, diante o calendário
vi que fez aniversário
o dia de tuas mondas.

Todas videiras cresceram
uvas mais uvas perdidas
frutos para muitas vidas
em ramas que ao peso penderam.

A que vinhas eu pergunto
se passou muito sem lavra
e a safra foi embora

Das contas que agora junto
grãos de uva eram palavra
e o vinho poesia que aflora!

BALANÇO DE AMOR


BALANÇO DE AMOR
Odir, de passagem
(Por conta das contas da poeta Eliane Guaraldo)

Eu fiz um balanço inédito
no quanto amei. O inventário
compus com tanto descrédito
que me senti um otário!

Levantei todo o meu crédito
nas colunas do Diário,
no Caixa colhi o débito
dos beijos por crediário.

No passivo do pecado
me perdi. Fui condenado.
Da Justiça li o édito.

Mas tendo o ativo aprovado,
pelo tanto que hei amado,
quanto ao amor tive rédito!

JPessoa, 11.11.10

Passeio do Anjo


Passeio do anjo

Além de incensos e flores
um anjo que passeava
pelos sonhos costumava
espiar frestas e amores

Fazia versos da prosa
tecendo em sua trama
primoroso diagrama
de usinagem valiosa

pendurado à clarabóia
dos sonhos, ele jogava
esses versos, como chuva

peças de bordado ou jóia
que a nudez do amor trajava
e vestiam feito luva.


homenagem ao poema de Fernando Tanajura



Eliane

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SAUDADE ( para Jorge Sales)

Que a saudade compensada

pela paz presenciada

na minha e tua morada

amenize a nossa dor
e a verdade, revelada,
para sempre eternizada
é que em tudo, quase nada
é tão forte quanto o amor.


(homenagem a Jorge Sales, passado em 14-11-2008)




Jorge Sales foi/é músico, cordelista e grande amigo.

sábado, 13 de novembro de 2010

Amor sem Tempo


Amor sem Tempo

Por onde anda o que juras que não viste?
O que vive aqui e está em toda essência
E onde anda esta enorme consciência
Que descreves em maestria se não existe?

Onde passas primaveras te esquecendo
Que as flores que tocavas eram sempre
Tanto espinhos como a mais viçosa pele
Que permitem relembrar-te revivendo ?

Pensamento aprisiona-nos a crenças
E enquanto planejamos, nos ilude
Refaçamo-nos por ser, simplesmente...

O amor está aonde não o pensas
Mas o sentes em completa plenitude
Com o corpo, com a alma e não a mente

Imortalidade Revisitada


Imortalidade

Edimo Ginot
Eliane Guaraldo

9-ix-10

não quero a imortalidade
nem real, nem virtual
um Midas da eternidade

quero a trilha da procura
quero viver a aventura
meu direito natural

o prêmio pela vida
o prêmio pelo tempo
virtude da imperfeição.

E nesse processo interno
A glória é o inferno
do que se quer imortal

a minha parte em aventura!
errar com desenvoltura
e viver a contradição

amor transcendente (Em Balanço)


amor transcendente

2011


..............................................................................................

Fiz um balanço em meu caixa
 e as contas não bateram 
eu devo-te uns bons sonhos 
e tu, as saudades que tenho 
.
 acontece que as minhas 
se pagam, é só quereres,
 tu me apareces esta noite
 demonstro meus pareceres. 
.
 enquanto isso, em teu canto
 em que não posso entrar, ainda
 marco hora  tanto quanto
 queiras q'eu seja bem-vinda
.
 Me chamas de tua chama
 inflamas-me com teus beijos
 tu sabes: eu sou quem te ama
 e quem te sacia os desejos 
.
 Anda, que ainda me deves
 matar saudades doídas
 fecha meus olhos, te entregues
 amor para muitas vidas. 
.
 As nossas contas assim feitas
 e pagas, desfeitas depois
 tudo feito sem receitas
 porém sempre feito a dois
.
 cabem todas num segundo
 num sonho que sonho a sós
 no momento mais fecundo
 em que de olhos fechados sou nós.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LEVEZA

Eliane Guaraldo
26-x-10


O tempo escorre
pelos vãos dos dedos
sem existir consome
sem matar a fome

(ou sanar os medos)

Se a poesia me percorre
intensa, como o desejo
é que encontrou um lugar

não temo divagar
a emoção é fugaz
mas a palavra inventa


Atenta
consumo a essência do ensejo
desafio gravidades;
São sutis estas verdades
que vêm do eterno e vivaz.

Então
comemoro a leveza.

Ciclo

Eliane Guaraldo
11-ix-10

Como entendo só agora, tanta serenidade!
como agora me é possivel te alcançar
tu esperas passar toda a vanidade
e só com o melhor do amor ficar!

assisto a esse desfilar de veleidades
tão sujeitas, a fragilidades tais
que mal resistem às toscas tempestades
que dirá aos grandes ventos estivais?

não me importa, mais o que está por vir
já que segue a mesma circularidade
e o que conta é só o que está bem dentro aqui

as transformações maiores estão sendo
simplesmente sem perguntas e sem tempo
são a nossa essência nos acontecendo

Desejo


11-x-10

Eu sei que te buscaria

onde e quando estiveres 
embora longínquo, presente

meu desejo não se cansa
quando se cansa o corpo
e suas sutis vanidades

assim nesta busca de fé
prossigo sempre de pé
esperando se estiveres

sábado, 23 de outubro de 2010

"Nasci, sujeito como os outros, a erros e defeitos (…) Mas nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência." Fernando Pessoa

quinta-feira, 30 de setembro de 2010



IMAGEM DO AMOR
set 10

Foi tão de repente,
que algo mudou
que o grito calou
a garganta falhou
e a noite parou
de enfileirar estrelas

Os dias estancaram
os ciclos romperam
com suas rotinas.
Não havia mais sinas
o destino cedeu:
perdidas em algum canto
ninguém mais a crê-las.

A ordem natural surtou
e a natureza esqueceu-se
O Sol não sabia
a que veio ao planeta
o frio aqueceu
ao invés de gelar.

No lugar
mais mágoas não havia
ou tampouco alegria
de um dia que um dia
contara-se em folhinhas.

tudo para
em torno de nós
e a sós, nossas bocas
em um beijo ardente
fazem o amor.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Esse est percipi
eliane guaraldo
16-ix-10



Abra os olhos - aí está
não há o quarto escuro

As palavras não vieram pelas frestas
só há o que voce enxerga.

não está escuro
nem mesmo há contenção.

Realidade é invenção.
e é só isso mesmo que existe.

Inventemos ser simplesmente.

De repente
Entre mente
a coisa criada
persiste.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sonhando Você




10-viii-10


Sonhando voce é lindo

quando seus olhos brilhantes

que iluminam a terra

resolvem se dar descanso


Sonhando você é lindo

quando o corpo se entrega

e docemente liberta

a alma aos seus passeios.


Sonhando você me sonha

e nossos sonhos se encontram

nos halos da madrugada.


Então os deixamos a sós

que entrelacem ensejos

e produzam suas façanhas


Sonhando você reconta

o seu projeto de vida

viver um sonho de paz

Casa de Memória


Casa de Memória
Eliane Guaraldo
16-viii-10

Atingindo o limite de escoamento
rui a viga de tão sólida estrutura
do esplendor ficou apenas a ossatura
sobre o chão ficou a cornija, o ornamento.

Latejando o derradeiro batimento
trinca o piso de cerâmica florada
e as lágrimas de estuque pela escada
são espalhadas, com o impacto, pelo vento.

O ruído surdo parou o momento
congelara o tempo, mas chegou atrasado
não conteve o frágil estado a longa história.

De comum ela se torna em monumento
ganhou placa do "instituto" e, restaurada,
fará parte atrofiada da memória.

Descoberta atemporal


Descoberta atemporal

Eliane Guaraldo
14-viii-10

camada presente
ausente lembrança
desenho inda a ser.

camada recente
ainda presente
projeto de vida.

demais camadas
remanescências
o profundo ser.

que algo se esqueça
pra que a essência rebrote
por consciências.

Corumbá (inspirado na lenda Bororó)

Corumbá (inspirado na lenda Bororó)


29-05-10
E Deus atirou no espaço
punhado farto de estrelas
Algumas chegaram à Terra
a Terra pudesse vê-las

Outras muitas, tardam ainda
a brilharem neste mundo
mas foi o gesto fecundo
trazendo, de todas a mais linda,

que criou, de ser luzente,
ser cidade e natureza
qual nenhum'outra será

Por divina e lindamente
tens assim tua beleza,
cidade de Corumbá.


(inspirado na lenda Bororó)

domingo, 11 de julho de 2010

URBANIDADE POÉTICA

Eliane Guaraldo
19-3-10
.
Tua presença
patrimônio intangível
da minha cultura
.
São como desejos:
monumentos protegidos
em praças vazias
.
Recorrentes anos-luz
de distância
entre memória e verdade
.
Na urbanidade
que inventamos
ao menos viva a poesia.

Declaração Desafinada

Eliane Guaraldo
11-vi-10
Eu te amo muito mais do que confesso
nestes verbos que persigo em desatino
e as palavras despejadas neste impresso
são nascidas de um desejo repentino.
.
Eu te amei, há muito tempo, de outras eras
e ao passares nas esquinas do destino
pra ajustar o meu caminho à tua espera
me tornei um acrobata, um bailarino.
.
Mas palavras que me explicam são pequenas
e eu preciso te encontrar o pensamento
pra dizer que existe um mundo à nossa espera
.
Tenho pressa que o infinito seja - apenas
incrustado como gema a este momento
com o sentido que à palavra a vida gera.

Madrugada

Eliane Guaraldo
9-vi-10
Eu sonho e me adianto
dos sonhos que inda vou ter
não os tendo tenho o encanto
da palavra que pra ser
.
há de ser assim, soletra
sem no entanto concessão
do sentido que impetra
sentimento em profusão
.
de nuvem a real imagem
Auspício da madrugada:
tu me vens e me entrelaças
.
Que sejas não paisagem
mas janela escancarada
da vida servida em taças

Amor de Manhã


04-vii-10
.
Não és imortal! és chama
e assim, dos teus finitos
os meus sentidos acordes.
.
Quero este sol que me chama
perto do que seja grito
desperto da noite acordes.
.
Dos teus abraços me invadas
Inundem de luz palavras
Felizes de apenas ser
.
Amar-te assim e mais nada
Na nua poesia que lavras
Pronúncias do teu prazer

Energia

Eliane Guaraldo
22-iii-10
.
Tenho o quê para que acordes?
Então não percebes que(m) chama?
te portas qual plácida dama
que contempla, mas não sorve.
.
Os acordes dissonantes
não hás de esperar a chama
se só ao poente se inflama
criemos o depois, o antes.
.
Sorve a essência de agora
tempo é só a apologia
de quem aposta em partida
.
O sol já te comemora
nada importa que não é dia
não adia o que é de vida

Vasta Natureza (cordel em décimas)

Eliane Guaraldo
15-09-05
.
Na tua vasta natureza
rica de belas imagens
guardas tuas tantas viagens
às margens do rio, tua mesa
e eu sou a correnteza
onde tua sede sacias
a garganta amacias
deste eterno movimento
pois sou eu o teu alento
seu tempo, sem nostalgias.
.
Na minha vasta natureza
rica de belas imagens
guardo a tua nestas margens -
cristalizada beleza:
no escuro, a luz acesa
onde a lua enluará
dos reflexos que em ti há...
não sei quanto, tanto tempo
serei eu o teu alento
e quanto estarás pra ficar.
.
Na tua vasta natureza
bordas de sal tuas pedras
parede coberta de heras
no chão, solidez e certeza
e eu sou a correnteza
rastro, extrato e pulsar
substrato, um avatar
um ciclico movimento
mas sou eu o teu alento
mesmo se sais, passear...
.
Na minha vasta natureza
Bordas de sal minhas correntes
Salpicas temperos ardentes
(às margens do rio, tua mesa)
no escuro a luz acesa
na clareza, transparência
Minha sólita consciência
Questiona-me todo tempo
Que estou por teu alento
A transbordar em querência.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Utopia

(poema inédito de Edimo Ginot)


A utopia
nunca vingou
virou
sonho de consumo
consumiu
quem a sonhou

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PECADO ( em 3 interações)

Eliane Guaraldo
03-vi-10

Quem há de dizer que não cometeu pecado
Se ao dizê-lo cai na mesma armadilha
A vontade de acertar, do erro é a pilha
A verdade de quem peca é o lado errado.

Se o pecado se repete todo dia
Se transforma em virtude pra quem fez
Certo e errado é sempre a forma como vês
Pra pecar que o façamos com maestria.

Prometo nunca mais pecar assim
Mas cada dia de um modo diferente
De uma forma que os meus feitos não me negam.

Aos que julgam mal que saibam: atrás de mim
Vem decerto o desdém de toda gente
E além, todos os pecados que carregam!



UniVerso

30-v-10
.
Nova ordem nosso mundo prenuncia
e a quantos queiram ver ela se deixa
A frequência e vibração em que se enfeixa
é o que explica esta grande sincronia.
.
Onde estão todos os duplos desta terra
onde as urbes de origem floresceram
energias que os sonhos precederam
e as idéias que o nosso ser encerra.
.
Se disser que aqui mesmo onde nascemos
é pra onde vamos, rumo ao eterno,
já que somos u'a centelha do divino.
.
Tocaremos sóis e auroras, se o crermos
a palavra e todo gesto será terno
e reais serão os "sonhos cristalinos".

De Passagem (para Odir Milanez da Cunha)

Eliane Guaraldo 12/III/10


Estamos sempre em passagem
aves sem pés nem paradas
a mastro nenhum atadas
em permanente viagem

Se uma pausa para a água
breves segundos que temos
são vidas as que vivemos
entre um prazer e u'a mágoa

Dê-me pois a tua escrita
no interegno da viagem
qual a mão que acaricia

o coração que palpita
o amor dentro da bagagem
e o prazer da poesia!

DE PASSAGEM - PARA ELIANE GUARALDO

Odir Milanez a Cunha

De passagem estamos nesta vida,
de passagem, sem nada incorporar.
Por certo, algum instinto nos convida
à sequência, sem descontinuar...

A imagem que nos vem é a de urdida
e bem urdida peça se encenar,
seguindo uma sequência definida
que a algum desfecho possa encaminhar...

É o que o circo mostra externamente
a seguir-se montagem a desmontagem
de uma cidade a outra indo à frente.

Sempre se mudam drama e personagem,
autor, ator e o público assistente,
tudo como no palco: de passagem!


Odir, agradecido, de passagem
Amor sem Tempo

Por onde anda o que juras que não viste?
O que vive aqui e está em toda essência
E onde anda esta enorme consciência
Que descreves em maestria se não existe?

Onde passas primaveras te esquecendo
Que as flores que tocavas eram dele
Tanto espinhos como a mais viçosa pele
Que permitem relembrar-te revivendo ?

Pensamento aprisiona-nos a crenças
E enquanto planejamos, nos ilude
Refaçamo-nos por ser, simplesmente...

O amor está aonde não o pensas
Mas o sentes em completa plenitude
Com o corpo, com a alma e não a mente

sábado, 24 de abril de 2010

Notas de essência

24-iv-10
Não me esforço para procurar resposta
Estou aqui- e é simplesmente o que me basta -
onde o querer ao sentimento se engasta
é onde a alma quer estar e sei que gosta.
...
E esta pungente ânsia de resposta
que levara de maneira tão fremente
indagar: - qual o futuro do presente?-
desmorona claramente, se esgota.
...
As idéias que na mente são criadas
moram longe da profunda consciência
cada uma em seu lugar, nunca te enganes!
...
De onde estão, profundamente enraizadas,
não alcançam tua verdadeira essência
e é com esta que me gritas: Eliaaaaaaneeee

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pássaros urbanos



No pentagrama
da fiação urbana
pássaros solfejam sua canção.

Ricardo Mainieri

sábado, 3 de abril de 2010

Pássaros de Corumbá






































(homenagem ao artista
que em madeira local
cria os pássaros do Pantanal)

02-iv-10

De Corumbá trouxe um "Fritz"
Para não deixar de olhar
Os passaros que ao luar
cantam, (quiçá um pouco tristes)

Sei que um dia não haverá
-eles se sabem acabando-
tanto que, de vez em quando
se deixam fotografar.

Mas o arquiteto do mundo
suas doces criaturas
soube não desamparar.

Num ato de amor fecundo
também criou, de mãos puras,
o artista que as desenhar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ponto de Corte

15-III-10

Por mais que se fale
foi pouco o que se disse
por maior fosse a magoa
nunca afogou

A crueza da atitude
desconstroi integridades.
não houve meta
insofismável.

O maximo de esforço
em nada resulta:
a sutil leveza
perdura dentro de nós

procedendo transformações.

Árida travessia

por Ricardo Mainieri


É preciso atravessar os dias.
Apesar da ferocidade dos carros
& da beligerância dos humanos.

É necessário empreender rotas de fuga.
Para escapar das armadilhas
& artimanhas das palavras
& dos sorrisos movediços.

É urgente acender luz própria
em meio à escuridão...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Solo para Michael Brecker

Jazz em silêncio
um sax.

A ferocidade
das notas
foi aplacada.

Um solo
aquoso
se derrama do instrumento.

Never more
as frases tortuosas
coltranianos improvisos.

Morte não manda aviso :
implacável
cobra seu couvert...


Ricardo Mainieri

********************************************************

Faleceu em 14/01/2007 o saxofonista Michael
Brecker. Este poema é um singelo gesto
de admiração e respeito.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bebop

O jazz
aquece a noite
generoso sopro
subtrai a escuridão.

Charlie Parker
passeia
(invisível)
pela sala.

Se instala
no lado avesso
da razão.

A raça humana
cartesiana
sai em busca
de outros tons.

___________________________________
dando continuidade aos poemas
jazzísticos...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Happy Hour

Você me fala de jazz
eu faço que escuto

Mas no fundo
mergulho nos seus olhos
como quem nada
mar aberto


(fale que escuto
uma nota sequer)


Um pouquinho de tocar
trocamos de posição
e você me faz falar

Dave Brubeck me odeia
usar o seu nome em vão
perdendo horas inteiras
em falsa argumentação

Ao fim e ao cabo
de um whisky bem sorvido
resolvemos:
nunca se discutiu com tanta propriedade
a qualidade
do antigo jazz

sábado, 13 de março de 2010

Identidade (Paisagem)

13-III-10
Os meus olhos não te vêem, paisagem
Os teus sumos não estão em minhas veias
Mas em modos litorais eu, de passagem,
Me assalto de tuas terras de fronteiras.

Vim de um mundo de janelas ao oceano
Onde os ventos me traziam seu espelho
Ao distante e extemporâneo eu me assemelho
À muralha, ao movimento- e não ao llano.

Ai de mim, que ando míope de sentidos
Procurando a minha imagem neste rio
E te enxergo simples e desconhecido.

Sobre ti ainda medito-errônea-mente
Pois profusas vidas tens em teu "vazio"
Que não invadem, mas conquistam lentamente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Koan

mente tece
invisível veste
atonal melodia

tudo e nada
simultânea mente

Ricardo Mainieri

___________________________________________

Koan é um tipo de "adivinha" do budismo-zen.
O sentido do texto é captado pela intuição...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

uma pedra nos tempos modernos ou considerações insanas a respeito do nosso tempo


tudo é tão rápido e tão impreciso
tudo tão novo e ao mesmo tempo velho
que já não avalio o que eu preciso
no novo mundo no qual me espelho

tudo é tão grande e tão violento
tudo tão perto e ao mesmo tempo longe
ao meu alcance todo o conhecimento
para mim e ao mais recluso monge

tudo que é útil tem um quê de fútil
como se o vazio preenchesse o nada
pra dar a impressão de que sou inútil
e que a minha vida é que está errada

mas de nada vale tanta novidade
se o que eu preciso é amor e paz
o que eu busco é a felicidade
que a gente só acha se for capaz

se me deparo com uma pedra no caminho
eu dou a volta e ela não me atrapalha
se ficar pensando vou ficar doidinho
e eu não acho que a pedra isso valha

domingo, 13 de dezembro de 2009

Em Tempos de Encanto


(para Fátima Leal)
02-10-05

O tempo de encanto
desfez o tempo vazio
e a poesia fluiu:
do sarau invadiu
as calçadas do rio;
a mensagem serviu
de lastro ao navio
aos amores o cio
libertou mão servil
e o silêncio ruiu
na palavra viril
que continha um encanto...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu quero falar de Amizade (para Jorge Sales)

12 de setembro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo,
em www.jorgesales.com.br

Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.

Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão … sem explicação”
Um mote mais que perfeito.

Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou mal pensamento
Desenvolve o acalento
Sinceridade é seu fruto.

Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.

Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kunstwollen

No recôndito espaço
das temporárias vestes
que já é pequeno para músculos, veias,
habita certo coração.

É pequeno demais
para comportar
mais do que as próprias células
ocupadas com sua vegetatividade,
- que dirá algum afeto?

Suas buscas são de imagens
visões, transformações
infinitos afora
enquanto sem resolução
permanece este pra quê? da vida

Devia o querer ir além de apenas respirar
- algo de dar cor e beleza ao cotidiano
uma vontade de arte incessante
que resiste e pulsa
contra todas as expectativas

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quero sem pátina, sem tempo

com desvelo , realejo

adivinhar tua chegada!



quero me surpreendas sempre

sem receio, sem pecado

imprevisivelmente...



de olhos vendados
imagem
tocada

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Duerme La Negra

Enquanto o gás nos fazia chorar
Mercedes Sosa cantava
Me gustan los estudiantes.

Ela que trazia a Latino-américa
no semblante & na voz.

Enlaçava nosotros
em Los Hermanos
dando Gracias a la vida.

Sí fué para nuevos mares
assim como Alfonsina.

Entonces ahora
en silêncio
Duerme Negrita...


Ricardo Mainieri


____________________________________________________



La Negra foi um dos mais famosos apelidos
de Mercedes Sosa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O POEMA

era qual colcha bordada
passamanarias

mostrei-o recolhendo a voz
no olhar profundo

quando o leres
quando queiras



saberás mais de mim

que minha história.

deixarás as letras tolas
no vazio, o não-lugar

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Poemínimos no Livro da Tribo 2010/2011

Mata Atlântica
em teu verdazul
ancoro meus olhos
ainda preservados.

__________________________________

Sol na praia
é como bênção
na cidade: danação.

__________________________________


Cravo temperando
tua pele chocolate
anis & afeto no coração.

Ricardo Mainieri

___________________________________



Estes poemínimos foram selecionados
para o Livro da Tribo 2010/2011.