Jazz em silêncio
um sax.
A ferocidade
das notas
foi aplacada.
Um solo
aquoso
se derrama do instrumento.
Never more
as frases tortuosas
coltranianos improvisos.
Morte não manda aviso :
implacável
cobra seu couvert...
Ricardo Mainieri
********************************************************
Faleceu em 14/01/2007 o saxofonista Michael
Brecker. Este poema é um singelo gesto
de admiração e respeito.
Espaço de Poesia,Arte e comunicação. A participação e a interação de leitores e colaboradores, enriquecendo temas e conteúdos, instigando reflexão, é desejável e estimulada. Eliane Guaraldo
segunda-feira, 22 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Bebop
O jazz
aquece a noite
generoso sopro
subtrai a escuridão.
Charlie Parker
passeia
(invisível)
pela sala.
Se instala
no lado avesso
da razão.
A raça humana
cartesiana
sai em busca
de outros tons.
___________________________________
dando continuidade aos poemas
jazzísticos...
aquece a noite
generoso sopro
subtrai a escuridão.
Charlie Parker
passeia
(invisível)
pela sala.
Se instala
no lado avesso
da razão.
A raça humana
cartesiana
sai em busca
de outros tons.
___________________________________
dando continuidade aos poemas
jazzísticos...
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Ricardo Mainieri
Local:
Rio Grande do Sul, Brasil
segunda-feira, 15 de março de 2010
Happy Hour
Você me fala de jazz
eu faço que escuto
Mas no fundo
mergulho nos seus olhos
como quem nada
mar aberto
(fale que escuto
uma nota sequer)
Um pouquinho de tocar
trocamos de posição
e você me faz falar
Dave Brubeck me odeia
usar o seu nome em vão
perdendo horas inteiras
em falsa argumentação
Ao fim e ao cabo
de um whisky bem sorvido
resolvemos:
nunca se discutiu com tanta propriedade
a qualidade
do antigo jazz
eu faço que escuto
Mas no fundo
mergulho nos seus olhos
como quem nada
mar aberto
(fale que escuto
uma nota sequer)
Um pouquinho de tocar
trocamos de posição
e você me faz falar
Dave Brubeck me odeia
usar o seu nome em vão
perdendo horas inteiras
em falsa argumentação
Ao fim e ao cabo
de um whisky bem sorvido
resolvemos:
nunca se discutiu com tanta propriedade
a qualidade
do antigo jazz
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sábado, 13 de março de 2010
Identidade (Paisagem)
13-III-10
Os meus olhos não te vêem, paisagem
Os teus sumos não estão em minhas veias
Mas em modos litorais eu, de passagem,
Me assalto de tuas terras de fronteiras.
Vim de um mundo de janelas ao oceano
Onde os ventos me traziam seu espelho
Ao distante e extemporâneo eu me assemelho
À muralha, ao movimento- e não ao llano.
Ai de mim, que ando míope de sentidos
Procurando a minha imagem neste rio
E te enxergo simples e desconhecido.
Sobre ti ainda medito-errônea-mente
Pois profusas vidas tens em teu "vazio"
Que não invadem, mas conquistam lentamente.
Os meus olhos não te vêem, paisagem
Os teus sumos não estão em minhas veias
Mas em modos litorais eu, de passagem,
Me assalto de tuas terras de fronteiras.
Vim de um mundo de janelas ao oceano
Onde os ventos me traziam seu espelho
Ao distante e extemporâneo eu me assemelho
À muralha, ao movimento- e não ao llano.
Ai de mim, que ando míope de sentidos
Procurando a minha imagem neste rio
E te enxergo simples e desconhecido.
Sobre ti ainda medito-errônea-mente
Pois profusas vidas tens em teu "vazio"
Que não invadem, mas conquistam lentamente.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Koan
mente tece
invisível veste
atonal melodia
tudo e nada
simultânea mente
Ricardo Mainieri
___________________________________________
Koan é um tipo de "adivinha" do budismo-zen.
O sentido do texto é captado pela intuição...
invisível veste
atonal melodia
tudo e nada
simultânea mente
Ricardo Mainieri
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Koan é um tipo de "adivinha" do budismo-zen.
O sentido do texto é captado pela intuição...
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Poesia Livre
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
uma pedra nos tempos modernos ou considerações insanas a respeito do nosso tempo
tudo é tão rápido e tão impreciso
tudo tão novo e ao mesmo tempo velho
que já não avalio o que eu preciso
no novo mundo no qual me espelho
tudo é tão grande e tão violento
tudo tão perto e ao mesmo tempo longe
ao meu alcance todo o conhecimento
para mim e ao mais recluso monge
tudo que é útil tem um quê de fútil
como se o vazio preenchesse o nada
pra dar a impressão de que sou inútil
e que a minha vida é que está errada
mas de nada vale tanta novidade
se o que eu preciso é amor e paz
o que eu busco é a felicidade
que a gente só acha se for capaz
se me deparo com uma pedra no caminho
eu dou a volta e ela não me atrapalha
se ficar pensando vou ficar doidinho
e eu não acho que a pedra isso valha
tudo tão novo e ao mesmo tempo velho
que já não avalio o que eu preciso
no novo mundo no qual me espelho
tudo é tão grande e tão violento
tudo tão perto e ao mesmo tempo longe
ao meu alcance todo o conhecimento
para mim e ao mais recluso monge
tudo que é útil tem um quê de fútil
como se o vazio preenchesse o nada
pra dar a impressão de que sou inútil
e que a minha vida é que está errada
mas de nada vale tanta novidade
se o que eu preciso é amor e paz
o que eu busco é a felicidade
que a gente só acha se for capaz
se me deparo com uma pedra no caminho
eu dou a volta e ela não me atrapalha
se ficar pensando vou ficar doidinho
e eu não acho que a pedra isso valha
domingo, 13 de dezembro de 2009
Em Tempos de Encanto
(para Fátima Leal)
02-10-05
O tempo de encanto
desfez o tempo vazio
e a poesia fluiu:
do sarau invadiu
as calçadas do rio;
a mensagem serviu
de lastro ao navio
aos amores o cio
libertou mão servil
e o silêncio ruiu
na palavra viril
que continha um encanto...
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Poesia Livre
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Eu quero falar de Amizade (para Jorge Sales)
12 de setembro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo,
em www.jorgesales.com.br
Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.
Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão … sem explicação”
Um mote mais que perfeito.
Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou mal pensamento
Desenvolve o acalento
Sinceridade é seu fruto.
Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.
Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.
em www.jorgesales.com.br
Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.
Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão … sem explicação”
Um mote mais que perfeito.
Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou mal pensamento
Desenvolve o acalento
Sinceridade é seu fruto.
Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.
Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.
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Eu Quero Falar de Amizade (para Jorge Sales)
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Kunstwollen
No recôndito espaço
das temporárias vestes
que já é pequeno para músculos, veias,
habita certo coração.
É pequeno demais
para comportar
mais do que as próprias células
ocupadas com sua vegetatividade,
- que dirá algum afeto?
Suas buscas são de imagens
visões, transformações
infinitos afora
enquanto sem resolução
permanece este pra quê? da vida
Devia o querer ir além de apenas respirar
- algo de dar cor e beleza ao cotidiano
uma vontade de arte incessante
que resiste e pulsa
contra todas as expectativas
das temporárias vestes
que já é pequeno para músculos, veias,
habita certo coração.
É pequeno demais
para comportar
mais do que as próprias células
ocupadas com sua vegetatividade,
- que dirá algum afeto?
Suas buscas são de imagens
visões, transformações
infinitos afora
enquanto sem resolução
permanece este pra quê? da vida
Devia o querer ir além de apenas respirar
- algo de dar cor e beleza ao cotidiano
uma vontade de arte incessante
que resiste e pulsa
contra todas as expectativas
terça-feira, 20 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Duerme La Negra
Enquanto o gás nos fazia chorar
Mercedes Sosa cantava
Me gustan los estudiantes.
Ela que trazia a Latino-américa
no semblante & na voz.
Enlaçava nosotros
em Los Hermanos
dando Gracias a la vida.
Sí fué para nuevos mares
assim como Alfonsina.
Entonces ahora
en silêncio
Duerme Negrita...
Ricardo Mainieri
____________________________________________________
La Negra foi um dos mais famosos apelidos
de Mercedes Sosa
Mercedes Sosa cantava
Me gustan los estudiantes.
Ela que trazia a Latino-américa
no semblante & na voz.
Enlaçava nosotros
em Los Hermanos
dando Gracias a la vida.
Sí fué para nuevos mares
assim como Alfonsina.
Entonces ahora
en silêncio
Duerme Negrita...
Ricardo Mainieri
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La Negra foi um dos mais famosos apelidos
de Mercedes Sosa
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Poesia Livre
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O POEMA
era qual colcha bordada
passamanarias
mostrei-o recolhendo a voz
no olhar profundo
quando o leres
quando queiras
passamanarias
mostrei-o recolhendo a voz
no olhar profundo
quando o leres
quando queiras
saberás mais de mim
que minha história.
deixarás as letras tolas
que minha história.
deixarás as letras tolas
no vazio, o não-lugar
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Poemínimos no Livro da Tribo 2010/2011
Mata Atlântica
em teu verdazul
ancoro meus olhos
ainda preservados.
__________________________________
Sol na praia
é como bênção
na cidade: danação.
__________________________________
Cravo temperando
tua pele chocolate
anis & afeto no coração.
Ricardo Mainieri
___________________________________
Estes poemínimos foram selecionados
para o Livro da Tribo 2010/2011.
em teu verdazul
ancoro meus olhos
ainda preservados.
__________________________________
Sol na praia
é como bênção
na cidade: danação.
__________________________________
Cravo temperando
tua pele chocolate
anis & afeto no coração.
Ricardo Mainieri
___________________________________
Estes poemínimos foram selecionados
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
Entropia
Redescobri a palavra
entropia.
Adentrei na desordem
na lenta desintegração
dos sistemas.
Humanos & estruturais.
A oxidação
a ferrugem
e o caos
nos persegue.
Poderemos detê-los?
Ricardo Mainieri
entropia.
Adentrei na desordem
na lenta desintegração
dos sistemas.
Humanos & estruturais.
A oxidação
a ferrugem
e o caos
nos persegue.
Poderemos detê-los?
Ricardo Mainieri
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Entropia (Ricardo Mainieri),
Poesia Livre
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Pertencimento
de mãos dadas com o desconhecido
caminho você.
que me tem
absorto me conduz
por olhos e visagens tantas
como experiência do sentido.
Não há ilusão
mas crença
consciencia extrema
de pertencimento.
caminho você.
que me tem
absorto me conduz
por olhos e visagens tantas
como experiência do sentido.
Não há ilusão
mas crença
consciencia extrema
de pertencimento.
Realidades
Torcidas e contorcidas
como os galhos
desta paisagem cerrada
onde nada
é o que parece
nem parece o que é
bloominantes como os ipês na floresta
exaustivamente horizontal e infinita
REALIDADES
como os galhos
desta paisagem cerrada
onde nada
é o que parece
nem parece o que é
bloominantes como os ipês na floresta
exaustivamente horizontal e infinita
REALIDADES
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Emulação
Eliane Guaraldo
25-iv-09
Pareces como a lua:
Em noites albas
Surpreendes quietudes
Mas alturas que galgas
São só visagens
Nas paisagens
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.
25-iv-09
Pareces como a lua:
Em noites albas
Surpreendes quietudes
Mas alturas que galgas
São só visagens
Nas paisagens
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.
Presença
(para Jorge Sales)
10-v-09
Estás bem onde a alegria se derrama
E no fundo de uma prece antes da ceia
No desejo que invade e incendeia
E na dança delicada de uma chama
Estás quase nas palavras, minha voz
Num amigo que aparece de surpresa
Com a canção que me mostraste, ainda acesa,
(já entregue em silêncio a todos nós)
Estás sempre onde preciso e ao meu lado
Eu te vejo todo tempo, te adivinho
Em verdade o meu sentido te pressente.
Se conjugas no futuro do passado
Tua presença, para sempre em meu caminho
Só me fala do infinito do presente.
10-v-09
Estás bem onde a alegria se derrama
E no fundo de uma prece antes da ceia
No desejo que invade e incendeia
E na dança delicada de uma chama
Estás quase nas palavras, minha voz
Num amigo que aparece de surpresa
Com a canção que me mostraste, ainda acesa,
(já entregue em silêncio a todos nós)
Estás sempre onde preciso e ao meu lado
Eu te vejo todo tempo, te adivinho
Em verdade o meu sentido te pressente.
Se conjugas no futuro do passado
Tua presença, para sempre em meu caminho
Só me fala do infinito do presente.
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soneto
quinta-feira, 12 de março de 2009
Vento
Hoje um dia que não termina
suas vestes,doces mãos
a me alisar cabelos
no vento deste campo grande
infinito que invento
de tanta presença
na ausência
de mais sentidos.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Light side
em contraluz:
o desejo se ilumina...
Ricardo Mainieri
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