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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

uma pedra nos tempos modernos ou considerações insanas a respeito do nosso tempo


tudo é tão rápido e tão impreciso
tudo tão novo e ao mesmo tempo velho
que já não avalio o que eu preciso
no novo mundo no qual me espelho

tudo é tão grande e tão violento
tudo tão perto e ao mesmo tempo longe
ao meu alcance todo o conhecimento
para mim e ao mais recluso monge

tudo que é útil tem um quê de fútil
como se o vazio preenchesse o nada
pra dar a impressão de que sou inútil
e que a minha vida é que está errada

mas de nada vale tanta novidade
se o que eu preciso é amor e paz
o que eu busco é a felicidade
que a gente só acha se for capaz

se me deparo com uma pedra no caminho
eu dou a volta e ela não me atrapalha
se ficar pensando vou ficar doidinho
e eu não acho que a pedra isso valha

domingo, 13 de dezembro de 2009

Em Tempos de Encanto


(para Fátima Leal)
02-10-05

O tempo de encanto
desfez o tempo vazio
e a poesia fluiu:
do sarau invadiu
as calçadas do rio;
a mensagem serviu
de lastro ao navio
aos amores o cio
libertou mão servil
e o silêncio ruiu
na palavra viril
que continha um encanto...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu quero falar de Amizade (para Jorge Sales)

12 de setembro, 2008 © Publicado por Eliane Guaraldo,
em www.jorgesales.com.br

Eu quero falar de amizade
Como se fosse o presente
Que assim, meio de repente,
Acontece numa idade
Em que a gente quer verdade
Sabedoria e bom vinho
Eu sei que nunca é sozinho
Quem encontrou um amigo
Muito mais do que abrigo
Encontrou o seu caminho.

Eu quero falar de amizade
Como se fosse um achado
Um tesouro encontrado
De enorme raridade
Porém sem solenidade
Se acomoda no seu peito
Completo e de um tal jeito
Que preenche o coração
“Fusão … sem explicação”
Um mote mais que perfeito.

Eu quero falar de amizade
Como o amor que não termina
Mas liberta, reanima
Em total cumplicidade.
Ela vive em paridade
Com o respeito absoluto
E o coração impoluto
De mágoa ou mal pensamento
Desenvolve o acalento
Sinceridade é seu fruto.

Eu quero falar de amizade
Como algo que não se explica
Mas se sente e identifica
Quando ele é de verdade
Porque deixa uma saudade
E o desejo de encontrar
Sem contudo provocar
Qualquer dor ou sofrimento
Pois é nobre sentimento
Que pra sempre vai ficar.

Eu quero falar de amizade
Como sentimento vivo
Exercício que cultivo
Em sua integralidade
E com grande intensidade
Já que aprendi contigo
É um dom que eu persigo
Ami-zade é amar com arte
Eu te amo e destarte
Tu és o meu grande amigo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Kunstwollen

No recôndito espaço
das temporárias vestes
que já é pequeno para músculos, veias,
habita certo coração.

É pequeno demais
para comportar
mais do que as próprias células
ocupadas com sua vegetatividade,
- que dirá algum afeto?

Suas buscas são de imagens
visões, transformações
infinitos afora
enquanto sem resolução
permanece este pra quê? da vida

Devia o querer ir além de apenas respirar
- algo de dar cor e beleza ao cotidiano
uma vontade de arte incessante
que resiste e pulsa
contra todas as expectativas

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quero sem pátina, sem tempo

com desvelo , realejo

adivinhar tua chegada!



quero me surpreendas sempre

sem receio, sem pecado

imprevisivelmente...



de olhos vendados
imagem
tocada

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Duerme La Negra

Enquanto o gás nos fazia chorar
Mercedes Sosa cantava
Me gustan los estudiantes.

Ela que trazia a Latino-américa
no semblante & na voz.

Enlaçava nosotros
em Los Hermanos
dando Gracias a la vida.

Sí fué para nuevos mares
assim como Alfonsina.

Entonces ahora
en silêncio
Duerme Negrita...


Ricardo Mainieri


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La Negra foi um dos mais famosos apelidos
de Mercedes Sosa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O POEMA

era qual colcha bordada
passamanarias

mostrei-o recolhendo a voz
no olhar profundo

quando o leres
quando queiras



saberás mais de mim

que minha história.

deixarás as letras tolas
no vazio, o não-lugar

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Poemínimos no Livro da Tribo 2010/2011

Mata Atlântica
em teu verdazul
ancoro meus olhos
ainda preservados.

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Sol na praia
é como bênção
na cidade: danação.

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Cravo temperando
tua pele chocolate
anis & afeto no coração.

Ricardo Mainieri

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Estes poemínimos foram selecionados
para o Livro da Tribo 2010/2011.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Entropia

Redescobri a palavra
entropia.

Adentrei na desordem
na lenta desintegração
dos sistemas.

Humanos & estruturais.


A oxidação
a ferrugem
e o caos
nos persegue.

Poderemos detê-los?


Ricardo Mainieri

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pertencimento

de mãos dadas com o desconhecido
caminho você.
que me tem

absorto me conduz
por olhos e visagens tantas
como experiência do sentido.

Não há ilusão
mas crença
consciencia extrema
de pertencimento.

Realidades

Torcidas e contorcidas
como os galhos
desta paisagem cerrada
onde nada
é o que parece
nem parece o que é


bloominantes como os ipês na floresta
exaustivamente horizontal e infinita


REALIDADES

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Emulação

Eliane Guaraldo
25-iv-09

Pareces como a lua:
Em noites albas
Surpreendes quietudes

Mas alturas que galgas

São só visagens

Nas paisagens
Tantas similitudes:
em minhas águas
É que flutua.

Presença

(para Jorge Sales)
10-v-09

Estás bem onde a alegria se derrama
E no fundo de uma prece antes da ceia
No desejo que invade e incendeia
E na dança delicada de uma chama

Estás quase nas palavras, minha voz
Num amigo que aparece de surpresa
Com a canção que me mostraste, ainda acesa,
(já entregue em silêncio a todos nós)

Estás sempre onde preciso e ao meu lado
Eu te vejo todo tempo, te adivinho
Em verdade o meu sentido te pressente.

Se conjugas no futuro do passado
Tua presença, para sempre em meu caminho
Só me fala do infinito do presente.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Vento




Hoje um dia que não termina
suas vestes,doces mãos 

a me alisar cabelos
no vento deste campo grande

infinito que invento 


de tanta presença
na ausência
de mais sentidos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Light side

Corpo
em contraluz:
o desejo se ilumina...

Ricardo Mainieri

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Singelo

Fio de emoção
j
o
r
r
a
entre mentes compactas.

Feito grama
gerada no asfalto
denso.

Sonha tornar-se rio
(a)fluente
de humanidade.

Prosseguir
ligando utopias
& mares.

Quem sabe
um dia...


Ricardo Mainieri

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tempos de Espera

Em tempos de espera
se espera pelo que não se tem

e n t r e m e n t e s

Em tempos de espera
agoniza a paz da guerra
e cedo se liquefaz
sob arrebatamento
esvai-se sem linimento
que já não lhe satisfaz
as paixões, o sentimento
vivem por seu movimento
triunfa a guerra da paz

Depoimento

apague depois de ler
apague o que é de ter
afague o que é de ser
como o dia de amanhã
que se espera e não se alcança
pois já ESTÁ em tuas entranhas.
se estranhas o que vês
sempre estampas sempre tempos
no fundo sabes de cor
(qual a cor dos entretempos
voláteis e tão intensos!?
eu pré-sinto, sinto e temo
por meus próprios sentimentos)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Me nino

Lágrimas
trouxeram à tona
meu menino adormecido no mar
inconsciente.

Solicitava entrevista
breves instantes de meu trabalho.

Inocente
como se não soubesse
que desse modo
ganho a vida.

Resolvi desmarcar compromissos
e atendê-lo
agora.

Uma paz se irradiou
em toda minha superfície
humana...

Ricardo Mainieri

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Outra Poesia

26-IX-08

O tempo é inexorável
mas errou desta vez
O que era cristalino desfez
em água turva e instável.

Memorável feito, aplaudo
Com as mãos hoje vazias
dos poemas que tu lias
devolvendo em riso caldo.

Poesias não tenho mais
e de ler tu não haverás
mas resta o olhar que conheces.

Haverá de ficar a poesia
inexorável como mais esse dia
que me afasta de minha própria prece.