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domingo, 21 de novembro de 2010

Perdão


Perdão
22-xi-10

Perdoa, meu amor, me amares tanto
atando-te aos meus passos sem aviso
desejando ao singular o indiviso
esperando-me passar e eu me adianto

Perdoa, meu amor, se quero tanto
que teus lábios não soletrem o meu nome
que meus sonhos não saciem tua fome
e os desejos restem sós em algum canto

Eu perdôo, meu amor idolatrado
por não estar sempre contigo ou ao teu lado
e te amo! do nascer ao fim do dia

Eu perdôo seres anjo delicado
incapaz de meu amor arrebatado
que confunde inspiração com poesia

Ruído em Espelho

O tempo RUI sob nossos pés
É aLENTO da ilusão
máscara do desterro
em FINITO poder.
Pode ser este momento
um fugidio UNIverso
o inVERSO da filosofia
P O N T O d e s u b l i m A Ç Ã O
o inVERSO da filosofia
um fugidio UNIverso
Pode ser este momento
em FINITO poder.
máscara do desterro
É aLENTO da ilusão
O tempo RUI sob nossos pés

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Albergaria (Em Balanço)


Albergaria (Em Balanço)

Se preciso for poesia
pra merecer teus sonetos
passo a noite em meus versetos
faço dela albergaria

fecho as contas, passo a régua
nunca mais cerro o "poesia"
nesta idiossincrasia
também pra ti não dou trégua

no balanço desse caixa
a paixa, prá lá de ganha
é sempre quem dá as cartas

O amor nunca se rebaixa:
a conta parece estranha
e as dívidas sempre fartas


Com amizade, para Fernando Cunha Lima

A PAIXA DO LIVRO CAIXA




A PAIXA DO LIVRO CAIXA
Fernando Cunha Lima



Olhei o fundo do meu livro caixa,


Somente encontrei restos d’amor,


Um pouco de tristeza e de dor,


Daquela nossa e tão bela paixa.



Fechei e o lacrei com uma faixa,


Pra que nunca me cause dissabor,


Na faixa preta demonstrei na cor,


Esse meu luto de cabeça baixa.



Para surpresa minha outro dia,


Abri o livro caixa – qu’alegria!


Entre suas páginas, um respaldo.



Na linha dos créditos encontrei,


E de relance eu detectei


Que nosso amor tinha deixado saldo.


-----------

O tamanho deste saldo, Só tive com o respaldo, De Eliane Guaraldo.
Beijos Nando. 15-11-10.

Monda (em balanço)


Monda (em balanço)

De teimosa eu volto ás contas
e, diante o calendário
vi que fez aniversário
o dia de tuas mondas.

Todas videiras cresceram
uvas mais uvas perdidas
frutos para muitas vidas
em ramas que ao peso penderam.

A que vinhas eu pergunto
se passou muito sem lavra
e a safra foi embora

Das contas que agora junto
grãos de uva eram palavra
e o vinho poesia que aflora!

BALANÇO DE AMOR


BALANÇO DE AMOR
Odir, de passagem
(Por conta das contas da poeta Eliane Guaraldo)

Eu fiz um balanço inédito
no quanto amei. O inventário
compus com tanto descrédito
que me senti um otário!

Levantei todo o meu crédito
nas colunas do Diário,
no Caixa colhi o débito
dos beijos por crediário.

No passivo do pecado
me perdi. Fui condenado.
Da Justiça li o édito.

Mas tendo o ativo aprovado,
pelo tanto que hei amado,
quanto ao amor tive rédito!

JPessoa, 11.11.10

Passeio do Anjo


Passeio do anjo

Além de incensos e flores
um anjo que passeava
pelos sonhos costumava
espiar frestas e amores

Fazia versos da prosa
tecendo em sua trama
primoroso diagrama
de usinagem valiosa

pendurado à clarabóia
dos sonhos, ele jogava
esses versos, como chuva

peças de bordado ou jóia
que a nudez do amor trajava
e vestiam feito luva.


homenagem ao poema de Fernando Tanajura



Eliane

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SAUDADE ( para Jorge Sales)

Que a saudade compensada

pela paz presenciada

na minha e tua morada

amenize a nossa dor
e a verdade, revelada,
para sempre eternizada
é que em tudo, quase nada
é tão forte quanto o amor.


(homenagem a Jorge Sales, passado em 14-11-2008)




Jorge Sales foi/é músico, cordelista e grande amigo.

sábado, 13 de novembro de 2010

Amor sem Tempo


Amor sem Tempo

Por onde anda o que juras que não viste?
O que vive aqui e está em toda essência
E onde anda esta enorme consciência
Que descreves em maestria se não existe?

Onde passas primaveras te esquecendo
Que as flores que tocavas eram sempre
Tanto espinhos como a mais viçosa pele
Que permitem relembrar-te revivendo ?

Pensamento aprisiona-nos a crenças
E enquanto planejamos, nos ilude
Refaçamo-nos por ser, simplesmente...

O amor está aonde não o pensas
Mas o sentes em completa plenitude
Com o corpo, com a alma e não a mente

Imortalidade Revisitada


Imortalidade

Edimo Ginot
Eliane Guaraldo

9-ix-10

não quero a imortalidade
nem real, nem virtual
um Midas da eternidade

quero a trilha da procura
quero viver a aventura
meu direito natural

o prêmio pela vida
o prêmio pelo tempo
virtude da imperfeição.

E nesse processo interno
A glória é o inferno
do que se quer imortal

a minha parte em aventura!
errar com desenvoltura
e viver a contradição

amor transcendente (Em Balanço)


amor transcendente

2011


..............................................................................................

Fiz um balanço em meu caixa
 e as contas não bateram 
eu devo-te uns bons sonhos 
e tu, as saudades que tenho 
.
 acontece que as minhas 
se pagam, é só quereres,
 tu me apareces esta noite
 demonstro meus pareceres. 
.
 enquanto isso, em teu canto
 em que não posso entrar, ainda
 marco hora  tanto quanto
 queiras q'eu seja bem-vinda
.
 Me chamas de tua chama
 inflamas-me com teus beijos
 tu sabes: eu sou quem te ama
 e quem te sacia os desejos 
.
 Anda, que ainda me deves
 matar saudades doídas
 fecha meus olhos, te entregues
 amor para muitas vidas. 
.
 As nossas contas assim feitas
 e pagas, desfeitas depois
 tudo feito sem receitas
 porém sempre feito a dois
.
 cabem todas num segundo
 num sonho que sonho a sós
 no momento mais fecundo
 em que de olhos fechados sou nós.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LEVEZA

Eliane Guaraldo
26-x-10


O tempo escorre
pelos vãos dos dedos
sem existir consome
sem matar a fome

(ou sanar os medos)

Se a poesia me percorre
intensa, como o desejo
é que encontrou um lugar

não temo divagar
a emoção é fugaz
mas a palavra inventa


Atenta
consumo a essência do ensejo
desafio gravidades;
São sutis estas verdades
que vêm do eterno e vivaz.

Então
comemoro a leveza.

Ciclo

Eliane Guaraldo
11-ix-10

Como entendo só agora, tanta serenidade!
como agora me é possivel te alcançar
tu esperas passar toda a vanidade
e só com o melhor do amor ficar!

assisto a esse desfilar de veleidades
tão sujeitas, a fragilidades tais
que mal resistem às toscas tempestades
que dirá aos grandes ventos estivais?

não me importa, mais o que está por vir
já que segue a mesma circularidade
e o que conta é só o que está bem dentro aqui

as transformações maiores estão sendo
simplesmente sem perguntas e sem tempo
são a nossa essência nos acontecendo

Desejo


11-x-10

Eu sei que te buscaria

onde e quando estiveres 
embora longínquo, presente

meu desejo não se cansa
quando se cansa o corpo
e suas sutis vanidades

assim nesta busca de fé
prossigo sempre de pé
esperando se estiveres

sábado, 23 de outubro de 2010

"Nasci, sujeito como os outros, a erros e defeitos (…) Mas nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência." Fernando Pessoa

quinta-feira, 30 de setembro de 2010



IMAGEM DO AMOR
set 10

Foi tão de repente,
que algo mudou
que o grito calou
a garganta falhou
e a noite parou
de enfileirar estrelas

Os dias estancaram
os ciclos romperam
com suas rotinas.
Não havia mais sinas
o destino cedeu:
perdidas em algum canto
ninguém mais a crê-las.

A ordem natural surtou
e a natureza esqueceu-se
O Sol não sabia
a que veio ao planeta
o frio aqueceu
ao invés de gelar.

No lugar
mais mágoas não havia
ou tampouco alegria
de um dia que um dia
contara-se em folhinhas.

tudo para
em torno de nós
e a sós, nossas bocas
em um beijo ardente
fazem o amor.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Esse est percipi
eliane guaraldo
16-ix-10



Abra os olhos - aí está
não há o quarto escuro

As palavras não vieram pelas frestas
só há o que voce enxerga.

não está escuro
nem mesmo há contenção.

Realidade é invenção.
e é só isso mesmo que existe.

Inventemos ser simplesmente.

De repente
Entre mente
a coisa criada
persiste.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sonhando Você




10-viii-10


Sonhando voce é lindo

quando seus olhos brilhantes

que iluminam a terra

resolvem se dar descanso


Sonhando você é lindo

quando o corpo se entrega

e docemente liberta

a alma aos seus passeios.


Sonhando você me sonha

e nossos sonhos se encontram

nos halos da madrugada.


Então os deixamos a sós

que entrelacem ensejos

e produzam suas façanhas


Sonhando você reconta

o seu projeto de vida

viver um sonho de paz

Casa de Memória


Casa de Memória
Eliane Guaraldo
16-viii-10

Atingindo o limite de escoamento
rui a viga de tão sólida estrutura
do esplendor ficou apenas a ossatura
sobre o chão ficou a cornija, o ornamento.

Latejando o derradeiro batimento
trinca o piso de cerâmica florada
e as lágrimas de estuque pela escada
são espalhadas, com o impacto, pelo vento.

O ruído surdo parou o momento
congelara o tempo, mas chegou atrasado
não conteve o frágil estado a longa história.

De comum ela se torna em monumento
ganhou placa do "instituto" e, restaurada,
fará parte atrofiada da memória.

Descoberta atemporal


Descoberta atemporal

Eliane Guaraldo
14-viii-10

camada presente
ausente lembrança
desenho inda a ser.

camada recente
ainda presente
projeto de vida.

demais camadas
remanescências
o profundo ser.

que algo se esqueça
pra que a essência rebrote
por consciências.