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domingo, 11 de julho de 2010

Declaração Desafinada

Eliane Guaraldo
11-vi-10
Eu te amo muito mais do que confesso
nestes verbos que persigo em desatino
e as palavras despejadas neste impresso
são nascidas de um desejo repentino.
.
Eu te amei, há muito tempo, de outras eras
e ao passares nas esquinas do destino
pra ajustar o meu caminho à tua espera
me tornei um acrobata, um bailarino.
.
Mas palavras que me explicam são pequenas
e eu preciso te encontrar o pensamento
pra dizer que existe um mundo à nossa espera
.
Tenho pressa que o infinito seja - apenas
incrustado como gema a este momento
com o sentido que à palavra a vida gera.

Madrugada

Eliane Guaraldo
9-vi-10
Eu sonho e me adianto
dos sonhos que inda vou ter
não os tendo tenho o encanto
da palavra que pra ser
.
há de ser assim, soletra
sem no entanto concessão
do sentido que impetra
sentimento em profusão
.
de nuvem a real imagem
Auspício da madrugada:
tu me vens e me entrelaças
.
Que sejas não paisagem
mas janela escancarada
da vida servida em taças

Amor de Manhã


04-vii-10
.
Não és imortal! és chama
e assim, dos teus finitos
os meus sentidos acordes.
.
Quero este sol que me chama
perto do que seja grito
desperto da noite acordes.
.
Dos teus abraços me invadas
Inundem de luz palavras
Felizes de apenas ser
.
Amar-te assim e mais nada
Na nua poesia que lavras
Pronúncias do teu prazer

Energia

Eliane Guaraldo
22-iii-10
.
Tenho o quê para que acordes?
Então não percebes que(m) chama?
te portas qual plácida dama
que contempla, mas não sorve.
.
Os acordes dissonantes
não hás de esperar a chama
se só ao poente se inflama
criemos o depois, o antes.
.
Sorve a essência de agora
tempo é só a apologia
de quem aposta em partida
.
O sol já te comemora
nada importa que não é dia
não adia o que é de vida

Vasta Natureza (cordel em décimas)

Eliane Guaraldo
15-09-05
.
Na tua vasta natureza
rica de belas imagens
guardas tuas tantas viagens
às margens do rio, tua mesa
e eu sou a correnteza
onde tua sede sacias
a garganta amacias
deste eterno movimento
pois sou eu o teu alento
seu tempo, sem nostalgias.
.
Na minha vasta natureza
rica de belas imagens
guardo a tua nestas margens -
cristalizada beleza:
no escuro, a luz acesa
onde a lua enluará
dos reflexos que em ti há...
não sei quanto, tanto tempo
serei eu o teu alento
e quanto estarás pra ficar.
.
Na tua vasta natureza
bordas de sal tuas pedras
parede coberta de heras
no chão, solidez e certeza
e eu sou a correnteza
rastro, extrato e pulsar
substrato, um avatar
um ciclico movimento
mas sou eu o teu alento
mesmo se sais, passear...
.
Na minha vasta natureza
Bordas de sal minhas correntes
Salpicas temperos ardentes
(às margens do rio, tua mesa)
no escuro a luz acesa
na clareza, transparência
Minha sólita consciência
Questiona-me todo tempo
Que estou por teu alento
A transbordar em querência.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Utopia

(poema inédito de Edimo Ginot)


A utopia
nunca vingou
virou
sonho de consumo
consumiu
quem a sonhou

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PECADO ( em 3 interações)

Eliane Guaraldo
03-vi-10

Quem há de dizer que não cometeu pecado
Se ao dizê-lo cai na mesma armadilha
A vontade de acertar, do erro é a pilha
A verdade de quem peca é o lado errado.

Se o pecado se repete todo dia
Se transforma em virtude pra quem fez
Certo e errado é sempre a forma como vês
Pra pecar que o façamos com maestria.

Prometo nunca mais pecar assim
Mas cada dia de um modo diferente
De uma forma que os meus feitos não me negam.

Aos que julgam mal que saibam: atrás de mim
Vem decerto o desdém de toda gente
E além, todos os pecados que carregam!



UniVerso

30-v-10
.
Nova ordem nosso mundo prenuncia
e a quantos queiram ver ela se deixa
A frequência e vibração em que se enfeixa
é o que explica esta grande sincronia.
.
Onde estão todos os duplos desta terra
onde as urbes de origem floresceram
energias que os sonhos precederam
e as idéias que o nosso ser encerra.
.
Se disser que aqui mesmo onde nascemos
é pra onde vamos, rumo ao eterno,
já que somos u'a centelha do divino.
.
Tocaremos sóis e auroras, se o crermos
a palavra e todo gesto será terno
e reais serão os "sonhos cristalinos".

De Passagem (para Odir Milanez da Cunha)

Eliane Guaraldo 12/III/10


Estamos sempre em passagem
aves sem pés nem paradas
a mastro nenhum atadas
em permanente viagem

Se uma pausa para a água
breves segundos que temos
são vidas as que vivemos
entre um prazer e u'a mágoa

Dê-me pois a tua escrita
no interegno da viagem
qual a mão que acaricia

o coração que palpita
o amor dentro da bagagem
e o prazer da poesia!

DE PASSAGEM - PARA ELIANE GUARALDO

Odir Milanez a Cunha

De passagem estamos nesta vida,
de passagem, sem nada incorporar.
Por certo, algum instinto nos convida
à sequência, sem descontinuar...

A imagem que nos vem é a de urdida
e bem urdida peça se encenar,
seguindo uma sequência definida
que a algum desfecho possa encaminhar...

É o que o circo mostra externamente
a seguir-se montagem a desmontagem
de uma cidade a outra indo à frente.

Sempre se mudam drama e personagem,
autor, ator e o público assistente,
tudo como no palco: de passagem!


Odir, agradecido, de passagem
Amor sem Tempo

Por onde anda o que juras que não viste?
O que vive aqui e está em toda essência
E onde anda esta enorme consciência
Que descreves em maestria se não existe?

Onde passas primaveras te esquecendo
Que as flores que tocavas eram dele
Tanto espinhos como a mais viçosa pele
Que permitem relembrar-te revivendo ?

Pensamento aprisiona-nos a crenças
E enquanto planejamos, nos ilude
Refaçamo-nos por ser, simplesmente...

O amor está aonde não o pensas
Mas o sentes em completa plenitude
Com o corpo, com a alma e não a mente

sábado, 24 de abril de 2010

Notas de essência

24-iv-10
Não me esforço para procurar resposta
Estou aqui- e é simplesmente o que me basta -
onde o querer ao sentimento se engasta
é onde a alma quer estar e sei que gosta.
...
E esta pungente ânsia de resposta
que levara de maneira tão fremente
indagar: - qual o futuro do presente?-
desmorona claramente, se esgota.
...
As idéias que na mente são criadas
moram longe da profunda consciência
cada uma em seu lugar, nunca te enganes!
...
De onde estão, profundamente enraizadas,
não alcançam tua verdadeira essência
e é com esta que me gritas: Eliaaaaaaneeee

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pássaros urbanos



No pentagrama
da fiação urbana
pássaros solfejam sua canção.

Ricardo Mainieri

sábado, 3 de abril de 2010

Pássaros de Corumbá






































(homenagem ao artista
que em madeira local
cria os pássaros do Pantanal)

02-iv-10

De Corumbá trouxe um "Fritz"
Para não deixar de olhar
Os passaros que ao luar
cantam, (quiçá um pouco tristes)

Sei que um dia não haverá
-eles se sabem acabando-
tanto que, de vez em quando
se deixam fotografar.

Mas o arquiteto do mundo
suas doces criaturas
soube não desamparar.

Num ato de amor fecundo
também criou, de mãos puras,
o artista que as desenhar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ponto de Corte

15-III-10

Por mais que se fale
foi pouco o que se disse
por maior fosse a magoa
nunca afogou

A crueza da atitude
desconstroi integridades.
não houve meta
insofismável.

O maximo de esforço
em nada resulta:
a sutil leveza
perdura dentro de nós

procedendo transformações.

Árida travessia

por Ricardo Mainieri


É preciso atravessar os dias.
Apesar da ferocidade dos carros
& da beligerância dos humanos.

É necessário empreender rotas de fuga.
Para escapar das armadilhas
& artimanhas das palavras
& dos sorrisos movediços.

É urgente acender luz própria
em meio à escuridão...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Solo para Michael Brecker

Jazz em silêncio
um sax.

A ferocidade
das notas
foi aplacada.

Um solo
aquoso
se derrama do instrumento.

Never more
as frases tortuosas
coltranianos improvisos.

Morte não manda aviso :
implacável
cobra seu couvert...


Ricardo Mainieri

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Faleceu em 14/01/2007 o saxofonista Michael
Brecker. Este poema é um singelo gesto
de admiração e respeito.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bebop

O jazz
aquece a noite
generoso sopro
subtrai a escuridão.

Charlie Parker
passeia
(invisível)
pela sala.

Se instala
no lado avesso
da razão.

A raça humana
cartesiana
sai em busca
de outros tons.

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dando continuidade aos poemas
jazzísticos...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Happy Hour

Você me fala de jazz
eu faço que escuto

Mas no fundo
mergulho nos seus olhos
como quem nada
mar aberto


(fale que escuto
uma nota sequer)


Um pouquinho de tocar
trocamos de posição
e você me faz falar

Dave Brubeck me odeia
usar o seu nome em vão
perdendo horas inteiras
em falsa argumentação

Ao fim e ao cabo
de um whisky bem sorvido
resolvemos:
nunca se discutiu com tanta propriedade
a qualidade
do antigo jazz

sábado, 13 de março de 2010

Identidade (Paisagem)

13-III-10
Os meus olhos não te vêem, paisagem
Os teus sumos não estão em minhas veias
Mas em modos litorais eu, de passagem,
Me assalto de tuas terras de fronteiras.

Vim de um mundo de janelas ao oceano
Onde os ventos me traziam seu espelho
Ao distante e extemporâneo eu me assemelho
À muralha, ao movimento- e não ao llano.

Ai de mim, que ando míope de sentidos
Procurando a minha imagem neste rio
E te enxergo simples e desconhecido.

Sobre ti ainda medito-errônea-mente
Pois profusas vidas tens em teu "vazio"
Que não invadem, mas conquistam lentamente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Koan

mente tece
invisível veste
atonal melodia

tudo e nada
simultânea mente

Ricardo Mainieri

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Koan é um tipo de "adivinha" do budismo-zen.
O sentido do texto é captado pela intuição...