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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Abalo de Estrutura

29-01-08
Choveu foram lágrimas
drenagem interrota -
o quê de sofrer?
.
Um fauno solitário
sua pan anestesia.
Quem eu?
.
Mas este tênue e longo fio de tempo esticado sobre tanto mundo
(tanto sentimento)
nada pergunta:
.
Tensionando os extremos
trabalha no limite
e provoca rupturas.
.
Não rui a estrutura.
Não desaba essa obra.
se não for eu a força?
.
Olhando de perto
ferro a descoberto
oxidação.
.
O sólido concreto
pelos veios de cal
derrama à exaustão.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Distante


Eliane Guaraldo

23-01-07

Noite azul e estrelada
para ti, já é madrugada
na madrugada extensa do exílio.

Um sonho a acalentar terra distante
uma estrela ao longe 'blinka'
no compasso duma espera angustiante.

Tempos sabidos de cor não são precisos
no relógio oscuro da existência
pois as cores esmaecem ante agendas.

Mas não o sentimento.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

História de Amor com fim

Eliane Guaraldo
24-I-08

A energia convergiu nesse momento
o mundo pareceu sumamente grande
e ruidoso o que era insignificante
.
Após o escuro enfim lhe veio a visão
a estrada certa ao invés da contramão
porque a vida enfim vencia dentro em si
.
E o ar tornou-se fonte e inspiração
aprendeu usar a cor e a fantasia
Inspirar amor, exalar poesia
sem mais tempo pra interrogação
.
Despertar era importante de repente
e andar de bicicleta como infante
aprender com o por do sol e com o levante
e viver passou a ser mais do que urgente
.
As verdades se disseram a uma só vez
deu vontade de falar "l o n g e v i d a d e"
e sorriu por pura naturalidade
parecendo que inventara a lucidez.
.
Veio o dia, a semana e a idade
o amor foi infinito e duradouro
fôra enfim achado o mapa do tesouro
arriscou-se sentir "felicidade".
.
E em meio a esse amor superlativo
esqueceu-se de olhar ao seu redor
e notar que só o querer estava vivo.
.
Enamorou-se de sua própria ternura
houve chama mas o vento era maior:
novamente ficou só na noite escura.
.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

reflexões sobre o nada

reflexões sobre o nada



o tempo e o espaço

delimitam o meu viver

o primeiro é tão escasso

que eu me canso de correr

o segundo é um pedaço

do que de fato poderia ser

sou assim, um erro crasso

no embaraço do meu viver

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Cordel de e@orkut

J. Sales & E. Guaraldo
dez-2007 a jan- 2008

Jorge
Sinto falta de você
e também das poesias
daquele papo gostoso
até de suas manias
saudade então nem se fala
eu vou lhe dá uma pala
eu sinto todos os dias

Eliane
Fez surpresa o seu recado
me pegou de calça curta
quebrou o meu coração
que cê sabe, às vezes surta
e na hora de assinar
tira o "Sales" do lugar
e vê se seu nome encurta.

Jorge
Nem vi que neste recado
eu assinei diferente
você logo percebeu
por detrás de sua lente
do bem maior ninguém foge
pra você eu serei Jorge
no futuro e no presente

Eliane
Escrevi esse recado
assim meio serelepe
Pra ganhar o teu sorriso
escancarado no scrap
agora fiquei contente
o Jorge na minha frente
e o Sales fica pro CEP.

Jorge
No meu sorriso você
vai sempre encontrar abrigo
mas você sabe também
que sou mais que um amigo
se o recado é serelepe
e o Sales fica pro CEP
Jorge está sempre contigo.

Eliane
Jorge está sempre comigo
inda mais se tem cordel
coça a mão pra responder
e a mão quer o papel
e o papel... tudo aceita
o seu sorriso me enfeita
e com ele eu vou pro céu.

Jorge
Se o meu sorriso te enfeita
eu fico muito contente
ainda mais quando a vejo
sorrindo na minha frente
o meu amor por você
criou raiz pode crer
um amor jurisprudente.

Eliane
Sorrir no orkut é uma coisa
e outra é sorrir na frente
a lição que está na loisa
na prática é diferente
por isso é qu'eu te admiro
sem me cansar eu te miro:
um Jorge "jurisprudente" .

Jorge
A lição que está na loisa
não é diferente na prática
a teoria é importante
não seja assim pragmática
tenho em mim um parecer
o meu gostar de você
é uma coisa automática

Eliane
A coisa que é automática
bebe em águas da magia
eu sei a tua gramática
é plena de alegoria
por isso é que eu, te lendo,
mil cenários vou vivendo
tão encantada em poesia.

Jorge
Beber em águas da magia
é coisa que fazes bem
tua gramática é plena
de alegoria também
e se tiver de dar nota
minha linda poliglota
a minha na certa é cem

Eliane
Sem exagero, cumpadi!
quem me inventou foi você
se o meu cordel te "invade"
o teu foi que me fez ver
que emoção não se ensina
porque poesia é a menina
dos olhos do bem querer.

Jorge
Minha querida poeta
eu não sou o seu cumpadi
quando penso em você
bela emoção me invade
não a emoçao que se ensina
mas uma com adrenalina
que me traz felicidade.

Eliane
No meio do meu caminho
felicidade é um bem
Sem saber fala sozinho
quem acha que fica sem
no meu caso eu te garanto
a minha até causa espanto
pelo tamanho que tem.

Jorge
Estou esperando o cordel
minha querida poeta
fazer poemas bonitos
sempre foi a tua meta
embora seja contido
fico assim feito um Cupido
que perdeu a sua seta .

Eliane
Perdeste a tua seta?!
não foi assim que pensei
afinal o bom cupido
a guarda à força de lei
Embora seja atrevida
respeito muito tua lida
e dela, Jorge, és um rei...

Jorge
Já que respeitas minha lida
leia o que vou te dizer
e por favor não perguntes
porque não sei responder
mas se eu tiver uma história
se não me falha a memória
meu grande amor foi você.

Eliane
Admiro o meu poeta
e a sua história também
tu és um exímio esteta
poetas como ninguém
no tempo mais-que-perfeito
escrevendo do teu jeito
so-letras o querer bem

Jorge
Eu também te admiro
Minha poeta querida
Sou teu fã até na volta
E pra variar na partida
Quando a poeta aparece
Como se fosse uma prece
A fé em ti consolida

Eliane
Se eu fosse fazer consulta
de signo e astrologia
na matéria sou inculta
mas briga, sei, não teria
se somos gêmeos, de fato
em conferência de quatro
reina completa harmonia.

Jorge
A conferência de quatro
É coisa do nascimento
Nascemos no mês de junho
E não foi planejamento
Por culpa de um bom destino
Minha vida desde menino
Já era de bons momentos

Eliane
O sentimento é sagrado
inda mais se é verdadeiro
é doce como sorvete
ou cantar sob o chuveiro
a minha história te guarda
no tempo não se acovarda
por passar mais um janeiro.

Jorge
Passamos mais um janeiro
e outros ainda virão
cada vez mais eu te gosto
alegras meu coração
disso faço um bom desenho
o sentimento que tenho
vem de outra encarnação

Eliane
Da serenata de agosto
sob um luar perfeito
sempre esse vento no rosto
e esse sol no meu peito
nome que tem? que importa!
só sei que bateu à porta
foi no coração aceito.

Jorge
Se no coração foi aceito
A proposta que te fiz
Tua bela companhia
É tudo que sempre quis
Se me mandares um beijo
Tudo o que agora almejo
É que me dês outro bis

Eliane
Eu tenho uma explicação
da tua seta perdida
não foi mera distração
de um Cupido em sua lida
Na pena ela ficou presa
e num ato de beleza
se transformou em setilha.

Jorge
Aqui termino o cordel
Com os seus caracteres
Mando-te com a minha afeição
Espero que não o alteres
Publique ele ou não
Eu falo de coração
Faça tu o que quiseres.

Lembranças

(Poema de Jorge Sales
para uma amiga de escola)

Lembras quando nós nos conhecemos
Que belos momentos passamos
De festas, luzes, poesias
Romances , amores , fantasias

Lembras as pessoas que vivemos
Eu,Romeu,tu Julieta
Tu, Josefina, eu Napoleão
Trocamos de coração
Abrimos todas as portas
Quebramos as maçanetas
Vou contar se não te importas

Lembras quando estudamos juntos
Progressões, logaritmos. Conjuntos
Na sala ,tu de manhã eu de tarde
A série, não sei se quarta ou terceira
Quando trocamos sem alarde
Bilhetes por debaixo da carteira

Todos os momentos que passamos
Quando nós nos conhecemos
Todas as pessoas que vivemos
Tudo que estudamos juntos
Vou contar pra todo mundo
Não me digas que é trapaça
Ou mentiras deslavadas

Tu não te lembras de nada

Jorge Sales

Companhia da Poesia

Eliane Guaraldo
08-I-08

A poesia o céu alcança
alça (seu) vôo infinito
e tudo fica bonito
-admirar ninguém cansa-
mas se puder a esperança
pedir algo nessa hora ...
que cale aquele que chora
em sua palavra que amansa
a vida é sempre criança
é pra voltar que se vai embora.


Se a prosa chama à vida
e nos ancora ao chão,
à terra onde os pés estão,
a poesia é atrevida!
Caprichosa, a sua lida
quando vem e se demora
é brincar de ser senhora
dum tempo que não se alcança.
A vida é sempre criança:
É pra voltar que se vai embora.


A poesia é mesmo isso:
uma estrada generosa
quando o atalho é da prosa
respeitoso compromisso
vem repleta de feitiço
é estrela aqui e agora
mas pra partir não tem hora,
se nos toma em confiança.
A vida é sempre criança:
É pra voltar que se vai embora.


Tenho comigo uma crença
no fundo do peito uma voz
por mais que nos seja atroz
ou que pareça que vença
cada cabeça, u'a sentença
Solidão é coisa antiga
com poesia não se liga
Sem quem dê corda ela dança
A vida é sempre criança!
É pra voltar que se vai embora.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Aprendizado da Voz

Eliane Guaraldo
08-I-08

Quero lhe acompanhar
as palavras em sussurro
aprender dos gestos
contrações de músculos

Pronunciar
Quero a fala mágica
natureza cristalina,
galgar a garganta
alcançar atmosferas

Em segredo

Quero enfim vê-las dançar
desenhando sobre o corpo
e repetir-lhe os passos
inevitável prazer.


Voz.

Aprendizado da Voz


Eliane Guaraldo

08-I-08


Quero lhe acompanhar

as palavras em sussurro

aprender dos gestos

contrações de músculos


Quero a fala mágica

natureza cristalina,

galgar a garganta

e alçar atmosferas


Quero enfim vê-las dançar

desenhando sobre o corpo

repetir-lhe os passos

inevitável prazer.



Inspirado em Sempre so Fim, de Damião Cavalcanti (se eu pudesse sugerir uma canção, que fosse I'll write a song for you", de Earth Wind & Fire)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

COMO A CIDADE

COMO ESSA CIDADE TODOS OS DIAS
SEM POESIA, SEM TEMPERO.
ORDEM SINTÁTICA.
CAOS SEMÂNTICO.

EMPENAS PLENAS DE LETRAS VAZIAS
FLUTUANDO EM DESESPERO
DO DEGREDO DOS ROMÂNTICOS
TELEMÓVEL, PAZ ESTÁTICA.

COMO ESSA CIDADE PODERIA
COM TAL CRUELDADE E ESMERO
TORNAR BRITADEIRAS EM CÂNTICOS
COM PRECISÃO MATEMÁTICA?

COMO O BÉTON ABENÇOA
O RITUAL DAS NOIVAS A COMBUSTÃO
CARBÔNICAS CAUDAS NÚBIAS
A SUBIR E A LEVANTAR DO CHÃO...

COMO E BEBO E ME FARTO
PELOS POROS- INFORMAÇÃO
E NAS TORRENTES DAS CHUVAS
CERTO "GLOBAL" DE ALUVIÃO.

COMO ESSA CIDADE NUA
DESNUDA, AQUECE , INFLAMA
CULTIVA O ANDANTE E O ERRO
E O PRISIONEIRO DO MEDO
E FAZ CHAMAR-ME DE SUA?

COMO ESSA CIDADE CRUA,
QUE ME MALTRATA E ME AMA
POR SEU CENÁRIO EM DESTERRO
(CARO, VÁRIO, ÁRIDO, LÍVIDO,
LEDO, ÍGNIO)
DA RUA.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Sonho

Eliane Guaraldo
(Mote : Rogerinho Borges, a partir de poema de Jorge Sales,
"O sonho é a lembrança do que não aconteceu")
-ix-07

Carinhosa a palavra e o sentimento
que envolvem-nos e trazem tal beleza
atraindo com sua força e sutileza
nos lançando com bravura e com alento.

Quando o dia a dia as tintas do vivido
que a noite nos transporte em sonho lindo
pois o sonho é a lembrança que vem vindo
do evento ainda nem acontecido.

Eis a mágica da estrada, eis, leveza!
sem promessas, prosseguir com confiança
estar só e simplesmente renascido.

Se viver pode ser como ter certeza
de aprender de tudo, até da nossa errância
Eis a mágica da vida, o seu sentido.

domingo, 7 de outubro de 2007

Urbana Essência

Eliane Guaraldo
7-X-7

Tipuana acorda
na selva que morre
todos os dias

Poliana da cidade
a iluminar esperanças
mesmo inúteis

Urbana essência
da cidade ácido mina
nas sementes

Insana des-razão
para essa rez
em eterno gerúndio.

Em gana vazia
tempo nunca concluso
mote da cidade.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Auto-Recado

Eliane Guaraldo
21-ix-07

Tenho dois tempos
e nenhum lugar para histórias
mas memória para querer o esquecimento.

O peito do poeta é isento
prefere a solidão libertária
aos arranjos banais.

O peito do poeta
é o ungüento do mortal
e o próprio sepulcro.

Tenho este lenço de seda para dar-te
sem lágrimas. Sem perfume.
Nem senso de eternidade.

E ademais, no sonho guardado
"dentro do peito aguardado"
um abrigo de quimera.

Dejà Vu

12-8-7

Enfim, cá estou eu

a fechar os olhos
sem querer ver
mais um crepúsculo
vestes em bronze diáfana carne

Sem poder tocar o coração
eu, que com palavras
alcanço infinitos.

Nem posso te emprestar meus olhos
nem sofrer os teus tormentos
apenas olhar-te de longe

eu que planto jardins todos os dias
e falo de árvores e raízes
não posso fazer brotar teu sorriso.

Assisto a esse filme PB
reprise, só tu não viste
cheio de clichês
mas como não entendes de cinema...

Viver esse filme
dormir esse filme
assistir-te simplesmente
Amar um pouco mais.

Na tua frente happy end
Minha porta não tem trancas
mas o teu coração
que me esfacela .

Em cada vão momento ( glosa do Soneto da Fidelidade)

Eliane Guaraldo
01-10-07

Quando a noite se encerrar sem tua presença
Mas o dia te trouxer num qualquer vento
Quero vivê-lo em cada vão momento
e em serena plenitude a tua pertença.

Se esse toque vem e flagra desatento
Na canção que não se escreve todo dia
(Porque é gesto, é expressão e fantasia)
Quero vivê-lo, em cada vão momento.

Este amor, que com todo seu com seu encanto
Faz o rude se tornar em sentimento
E o inverno transformar-se em primavera

Que ele seja para sempre o teu alento
Sendo breve ou sendo longa a sua espera
E em seu louvor hei de espalhar meu canto.



Matriz inspiradora:

SONETO DA FIDELIDADE
Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me preocupe
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Quando o Poema

Quando o Poema
Eliane Guaraldo
15-01-06

Quando o poema sai do papel e toma forma
é que a forma foi mais forte que a palavra
e o sentimento descolou-se e, vida própria,
tomou o comando de nossa história.

Quando o poema toma forma e a forma é bruta
é que o sentido não se pode mais conter
e a palavra se quer faca, se quer credo,
e quer-se em ação irromper.

Mas quando o poema embala e é belo
como flor, cortejando a brisa em dança
cuidado! pode ser que ainda seduza
e se vá de forma mansa, como veio.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Dias de Amar ( Soneto)

Eliane Guaraldo 12-VI-07

Deste mar que me derrama eu hei vivido
a esperar por teu calor e tua chama
me envolves de marfim e de sentido
então sei que o teu corpo me reclama.

Nesses mares só se ama por inteiro
esses mares que invadem madrugada
as palavras restam mudas e os ponteiros
dos relógios já se contorcem por nada.

Eu te provo e então gozo os teus sabores
umedeces o meu solo em teus licores
nas nascentes que afloram de teu ser

E semeias dia-a-dia em teus suores
um desejo que renova as suas cores:
desemboca nos meus mares de viver.

As árvores nativas do Brasil (toada de Ernani Padilha)

As árvores nativas do Brasil
(toada alagoana)


A nossa mata nativa
nos cativa
com cenário exuberante
A beleza da floresta
não contesta
quem dela fica diante
Essa imagem tão bela
nos revela
a flora mais abundante

Com sua flor amarela
tão singela
se ornamenta o IPÊ
Seu quinhão de poesia
todo dia
deixando a nossa mercê
Sobressai na paisagem
a ramagem
parecendo um buquê .

Com sua densa folhagem
bela imagem
tem o nosso TARUMÃ
Também a PAINEIRA-ROSA
é vistosa
enfeitada com a lã
O seu porte altaneiro
o COQUEIRO
mostra em cada manhã

Na sombra do JUAZEIRO
o vaqueiro
se abriga no estio
Com ramagem verdejante
elegante
cresce a PEROBA-DO-RIO
Ficou o nosso passado
registrado
no lenho do PAU-BRASIL

O MARÔLO é encontrado
no cerrado
e também o MURICI
A PINÁ é fina e alta
e não falta
pra nos dar o açaí
MARI-MARI tem ainda
e tão linda
como ela nunca vi

Com a beleza infinda
que nos brinda
tem a ESPONJA também
Quando a vejo em setembro
eu me lembro
da mulher que quero bem
Porque na sua florada
é lembrada
a fragrância que ela tem

EMBAÚVA delicada
é olhada
por quem quer apreciar
CAJURÚ fica silente
no poente
como olhando para o mar
Se vê o JOÃO-DORMINDO
que é lindo
mesmo antes de acordar

Na estrada estava indo
e sorrindo
vi a UVA aparecer
Ela é muito pequena
e serena
mas sombra sabe fazer
Tem uma beleza rara
e tão clara
que nem preciso dizer

Vendo uma ACARIQUARA
se repara
no seu porte elegante
O seu tronco não enverga
e o enxerga
mesmo quem está distante
Mostrando sua textura
na altura
ela posa deslumbrante

Com a sua estrutura
configura
o frondoso ESPINHEIRO
no espinho e na flor
o amor
quando pleno e verdadeiro
No banhado ou no barranco
veste branco
na florada de janeiro

Vendo um ANGICO-BRANCO
eu estanco
diante da natureza
Não existe quem alcance
num relance
toda a sua beleza quando na tela celeste
ele investe
com as cores da pureza

Quando no tronco reveste
inconteste
sua grinalda de flores
na CASTANHA-DE-MACACO
eu destaco
seus encantos e primores
Até não sendo encontrado
decorado
tem no seu ramo verdores

MULUNGU é visitado
já florado
pelas aves do lugar
Em suas flores vermelhas
as abelhas
também ficam a rodar Acho que brancas e pretas
borboletas
não deixam de o visitar

No Brasil tem PAU-CAIXETAS,
VIOLETAS,
CURANAS, ERVAS, COPAIS,
POJÓS, LIXAS, MUCURIS,
BURITIS,
MOREIRAS,TAPIS, DEDAIS,
TREVOS, MOINAS, FAVELEIRAS,
AROEIRAS,
e ainda tem muitas mais...

Desperta

Eliane Guaraldo
13 IV 07

Desperta, meu amor
que a noite já passou
desperta e vem encontrar minhas mãos
que o sol já nasce

Não pensa mais no passado
há nele névoa - e tanta!
escuta-me e fala agora
e que agora revivamos

Aperta-me em teu coração
que o tempo pára- e abraços
sussurros, agora de amor
acaba-se o medo e a dor.

Desperta, meu amor
das tuas palestras com os anjos
o sol já nos atravessa a pele
e eu te fito docemente.

E quando os oceanos chegarem
que lavem nossos contornos
fita-me infinita mente
que agora é que é pra sempre.

Ciganas (inspirado em Vida, de Astenio)

Ciganas
(inspirado em Vida, de Astenio C Fernandes, em 16-IV-7)

Mulheres que levam segredos
guardando revelações
espelhos da nossa história
o mundo todo em suas mãos

Memoriais de Akasha
o sentimento do mundo
os avatares e amores
todo porvir num segundo

Em pequenas, frágeis palmas
registro de humanidades
a contemplação da alma
e o que se quer de verdades. I

ntrincadas, cálidas estradas
Do pulso ao seu coração
levam, se infiltram de nós
nossas historias se mesclam

Quiçá um dia nos possam
em desvelo sempre imenso
fazer brotá-las no ato
da lágrima sobre um lenço.