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sábado, 23 de outubro de 2010

"Nasci, sujeito como os outros, a erros e defeitos (…) Mas nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência." Fernando Pessoa

quinta-feira, 30 de setembro de 2010



IMAGEM DO AMOR
set 10

Foi tão de repente,
que algo mudou
que o grito calou
a garganta falhou
e a noite parou
de enfileirar estrelas

Os dias estancaram
os ciclos romperam
com suas rotinas.
Não havia mais sinas
o destino cedeu:
perdidas em algum canto
ninguém mais a crê-las.

A ordem natural surtou
e a natureza esqueceu-se
O Sol não sabia
a que veio ao planeta
o frio aqueceu
ao invés de gelar.

No lugar
mais mágoas não havia
ou tampouco alegria
de um dia que um dia
contara-se em folhinhas.

tudo para
em torno de nós
e a sós, nossas bocas
em um beijo ardente
fazem o amor.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Esse est percipi
eliane guaraldo
16-ix-10



Abra os olhos - aí está
não há o quarto escuro

As palavras não vieram pelas frestas
só há o que voce enxerga.

não está escuro
nem mesmo há contenção.

Realidade é invenção.
e é só isso mesmo que existe.

Inventemos ser simplesmente.

De repente
Entre mente
a coisa criada
persiste.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sonhando Você




10-viii-10


Sonhando voce é lindo

quando seus olhos brilhantes

que iluminam a terra

resolvem se dar descanso


Sonhando você é lindo

quando o corpo se entrega

e docemente liberta

a alma aos seus passeios.


Sonhando você me sonha

e nossos sonhos se encontram

nos halos da madrugada.


Então os deixamos a sós

que entrelacem ensejos

e produzam suas façanhas


Sonhando você reconta

o seu projeto de vida

viver um sonho de paz

Casa de Memória


Casa de Memória
Eliane Guaraldo
16-viii-10

Atingindo o limite de escoamento
rui a viga de tão sólida estrutura
do esplendor ficou apenas a ossatura
sobre o chão ficou a cornija, o ornamento.

Latejando o derradeiro batimento
trinca o piso de cerâmica florada
e as lágrimas de estuque pela escada
são espalhadas, com o impacto, pelo vento.

O ruído surdo parou o momento
congelara o tempo, mas chegou atrasado
não conteve o frágil estado a longa história.

De comum ela se torna em monumento
ganhou placa do "instituto" e, restaurada,
fará parte atrofiada da memória.

Descoberta atemporal


Descoberta atemporal

Eliane Guaraldo
14-viii-10

camada presente
ausente lembrança
desenho inda a ser.

camada recente
ainda presente
projeto de vida.

demais camadas
remanescências
o profundo ser.

que algo se esqueça
pra que a essência rebrote
por consciências.

Corumbá (inspirado na lenda Bororó)

Corumbá (inspirado na lenda Bororó)


29-05-10
E Deus atirou no espaço
punhado farto de estrelas
Algumas chegaram à Terra
a Terra pudesse vê-las

Outras muitas, tardam ainda
a brilharem neste mundo
mas foi o gesto fecundo
trazendo, de todas a mais linda,

que criou, de ser luzente,
ser cidade e natureza
qual nenhum'outra será

Por divina e lindamente
tens assim tua beleza,
cidade de Corumbá.


(inspirado na lenda Bororó)

domingo, 11 de julho de 2010

URBANIDADE POÉTICA

Eliane Guaraldo
19-3-10
.
Tua presença
patrimônio intangível
da minha cultura
.
São como desejos:
monumentos protegidos
em praças vazias
.
Recorrentes anos-luz
de distância
entre memória e verdade
.
Na urbanidade
que inventamos
ao menos viva a poesia.

Declaração Desafinada

Eliane Guaraldo
11-vi-10
Eu te amo muito mais do que confesso
nestes verbos que persigo em desatino
e as palavras despejadas neste impresso
são nascidas de um desejo repentino.
.
Eu te amei, há muito tempo, de outras eras
e ao passares nas esquinas do destino
pra ajustar o meu caminho à tua espera
me tornei um acrobata, um bailarino.
.
Mas palavras que me explicam são pequenas
e eu preciso te encontrar o pensamento
pra dizer que existe um mundo à nossa espera
.
Tenho pressa que o infinito seja - apenas
incrustado como gema a este momento
com o sentido que à palavra a vida gera.

Madrugada

Eliane Guaraldo
9-vi-10
Eu sonho e me adianto
dos sonhos que inda vou ter
não os tendo tenho o encanto
da palavra que pra ser
.
há de ser assim, soletra
sem no entanto concessão
do sentido que impetra
sentimento em profusão
.
de nuvem a real imagem
Auspício da madrugada:
tu me vens e me entrelaças
.
Que sejas não paisagem
mas janela escancarada
da vida servida em taças

Amor de Manhã


04-vii-10
.
Não és imortal! és chama
e assim, dos teus finitos
os meus sentidos acordes.
.
Quero este sol que me chama
perto do que seja grito
desperto da noite acordes.
.
Dos teus abraços me invadas
Inundem de luz palavras
Felizes de apenas ser
.
Amar-te assim e mais nada
Na nua poesia que lavras
Pronúncias do teu prazer

Energia

Eliane Guaraldo
22-iii-10
.
Tenho o quê para que acordes?
Então não percebes que(m) chama?
te portas qual plácida dama
que contempla, mas não sorve.
.
Os acordes dissonantes
não hás de esperar a chama
se só ao poente se inflama
criemos o depois, o antes.
.
Sorve a essência de agora
tempo é só a apologia
de quem aposta em partida
.
O sol já te comemora
nada importa que não é dia
não adia o que é de vida

Vasta Natureza (cordel em décimas)

Eliane Guaraldo
15-09-05
.
Na tua vasta natureza
rica de belas imagens
guardas tuas tantas viagens
às margens do rio, tua mesa
e eu sou a correnteza
onde tua sede sacias
a garganta amacias
deste eterno movimento
pois sou eu o teu alento
seu tempo, sem nostalgias.
.
Na minha vasta natureza
rica de belas imagens
guardo a tua nestas margens -
cristalizada beleza:
no escuro, a luz acesa
onde a lua enluará
dos reflexos que em ti há...
não sei quanto, tanto tempo
serei eu o teu alento
e quanto estarás pra ficar.
.
Na tua vasta natureza
bordas de sal tuas pedras
parede coberta de heras
no chão, solidez e certeza
e eu sou a correnteza
rastro, extrato e pulsar
substrato, um avatar
um ciclico movimento
mas sou eu o teu alento
mesmo se sais, passear...
.
Na minha vasta natureza
Bordas de sal minhas correntes
Salpicas temperos ardentes
(às margens do rio, tua mesa)
no escuro a luz acesa
na clareza, transparência
Minha sólita consciência
Questiona-me todo tempo
Que estou por teu alento
A transbordar em querência.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Utopia

(poema inédito de Edimo Ginot)


A utopia
nunca vingou
virou
sonho de consumo
consumiu
quem a sonhou

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PECADO ( em 3 interações)

Eliane Guaraldo
03-vi-10

Quem há de dizer que não cometeu pecado
Se ao dizê-lo cai na mesma armadilha
A vontade de acertar, do erro é a pilha
A verdade de quem peca é o lado errado.

Se o pecado se repete todo dia
Se transforma em virtude pra quem fez
Certo e errado é sempre a forma como vês
Pra pecar que o façamos com maestria.

Prometo nunca mais pecar assim
Mas cada dia de um modo diferente
De uma forma que os meus feitos não me negam.

Aos que julgam mal que saibam: atrás de mim
Vem decerto o desdém de toda gente
E além, todos os pecados que carregam!



UniVerso

30-v-10
.
Nova ordem nosso mundo prenuncia
e a quantos queiram ver ela se deixa
A frequência e vibração em que se enfeixa
é o que explica esta grande sincronia.
.
Onde estão todos os duplos desta terra
onde as urbes de origem floresceram
energias que os sonhos precederam
e as idéias que o nosso ser encerra.
.
Se disser que aqui mesmo onde nascemos
é pra onde vamos, rumo ao eterno,
já que somos u'a centelha do divino.
.
Tocaremos sóis e auroras, se o crermos
a palavra e todo gesto será terno
e reais serão os "sonhos cristalinos".

De Passagem (para Odir Milanez da Cunha)

Eliane Guaraldo 12/III/10


Estamos sempre em passagem
aves sem pés nem paradas
a mastro nenhum atadas
em permanente viagem

Se uma pausa para a água
breves segundos que temos
são vidas as que vivemos
entre um prazer e u'a mágoa

Dê-me pois a tua escrita
no interegno da viagem
qual a mão que acaricia

o coração que palpita
o amor dentro da bagagem
e o prazer da poesia!

DE PASSAGEM - PARA ELIANE GUARALDO

Odir Milanez a Cunha

De passagem estamos nesta vida,
de passagem, sem nada incorporar.
Por certo, algum instinto nos convida
à sequência, sem descontinuar...

A imagem que nos vem é a de urdida
e bem urdida peça se encenar,
seguindo uma sequência definida
que a algum desfecho possa encaminhar...

É o que o circo mostra externamente
a seguir-se montagem a desmontagem
de uma cidade a outra indo à frente.

Sempre se mudam drama e personagem,
autor, ator e o público assistente,
tudo como no palco: de passagem!


Odir, agradecido, de passagem
Amor sem Tempo

Por onde anda o que juras que não viste?
O que vive aqui e está em toda essência
E onde anda esta enorme consciência
Que descreves em maestria se não existe?

Onde passas primaveras te esquecendo
Que as flores que tocavas eram dele
Tanto espinhos como a mais viçosa pele
Que permitem relembrar-te revivendo ?

Pensamento aprisiona-nos a crenças
E enquanto planejamos, nos ilude
Refaçamo-nos por ser, simplesmente...

O amor está aonde não o pensas
Mas o sentes em completa plenitude
Com o corpo, com a alma e não a mente

sábado, 24 de abril de 2010

Notas de essência

24-iv-10
Não me esforço para procurar resposta
Estou aqui- e é simplesmente o que me basta -
onde o querer ao sentimento se engasta
é onde a alma quer estar e sei que gosta.
...
E esta pungente ânsia de resposta
que levara de maneira tão fremente
indagar: - qual o futuro do presente?-
desmorona claramente, se esgota.
...
As idéias que na mente são criadas
moram longe da profunda consciência
cada uma em seu lugar, nunca te enganes!
...
De onde estão, profundamente enraizadas,
não alcançam tua verdadeira essência
e é com esta que me gritas: Eliaaaaaaneeee

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pássaros urbanos



No pentagrama
da fiação urbana
pássaros solfejam sua canção.

Ricardo Mainieri